Tabela de valores minímos para roteiristas

13 out

Saiu a tabela da Associação de Roteiristas, AR, atualizada com valores para 2012.

Consta na tabela, visando a abertura do mercado, a categoria para desenvolvimento de Bíblias de séries e criação de universos transmidíaticos.

O roteirista e ex secretário do Audiovisual, Newton Cannito é o presidente da AR.

Tabela de AR – valores 2012

Atualização de valores 2012

Valores mínimos sugeridos pela Associação de Roteiristas.

A) SERVIÇOS PARA TV

SERVIÇOS PARA TELEVISÃO
15′ 30′ 60′
Argumento/Sinopse 2.000,00 3.500,00 5.550,00
Roteiro Dramaturgia 3.460,00 5.550,00 10.400,00
Roteiro de Documentário com Pesquisa 3.000,00 4.200,00 6.900,00
Roteiro de Documentário sem Pesquisa 2.000,00 2.700,00 4.800,00
Roteiro de Programa de Variedades 2.770,00 3.500,00 5.550,00
Roteiro de Institucional ou Treinamento sem Dramaturgia 1.700,00 2.770,00 4.200,00
Roteiro de Institucional ou Treinamento com Dramaturgia 2.000,00 4.170,00 6.930,00
Roteiro de Programa Educativo com Dramaturgia 2.770,00 4.170,00 6.930,00
Roteiro de Programa Educativo sem Dramaturgia 2.080,00 2.770,00 4.850,00
Sinopse para telenovela, minissérie e seriado 15.000,00
Roteiro de Programa Corporativo (mínimo de 4 pgms por mês) 1.040,00 por programa

 

PISO SALARIAL MÍNIMO RECOMENDADO para roteiristas em televisão (mensal) por tipo de programa semanal ou diário:

PROGRAMA DIÁRIO SEMANAL
Roteirista Teledramaturgia 7.000,00 5.000,00
Roteirista Programa sem Dramaturgia / variedades 5.500,00 3.500,00

B) SERVIÇOS PARA CINEMA

SERVIÇOS PARA CINEMA CURTA MÉDIA LONGA
Argumento/sinopse 7.000,00
Roteiro Ficção Original* 8.320,00 16.650,00 30.000,00
Tratamento de Roteiro (a partir do terceiro tratamento) 6.930,00
Roteiro Adaptado 5.550,00 15.000,00 30.000,00
Roteiro Documentário* 8.320,00 16.650,00 30.000,00
Scrip Doctoring 7.000,00
Parecer 4.170,00

* OU 5% DO ORÇAMENTO FINAL DO FILME

• A SER NEGOCIADO EM CONTRATO:

  • PARTICIPAÇÃO EM BILHETERIA (2%)
  • DEFINIÇÃO DE NÚMERO DE TRATAMENTOS DE ROTEIROS (ATÉ 3)
  • ESCALONAMENTO DE PRAZOS DE ENTREGA DE MATERIAL (SINOPSE, ESCALETA, PRIMEIRA VERSÃO DE ROTEIRO) E PAGAMENTOS

C) SERVIÇOS PARA OUTRAS MÍDIAS

SERVIÇOS PARA OUTRAS MÍDIAS (celulares, internet, etc) Por Obra
*Roteiro de Dramaturgia p Internet 1.390,00
Roteiro de Programa de Variedades Internet 900,00
Comerciais p Internet (30”) 900,00

*+ 10% DOS VALORES DE PATROCÍNIO E/OU + 12% DE VALOR DE MERCHANDISING.

D) OUTROS :

OUTROS Por Obra
Criação de Bíblias de Séries (argumento da série e da 1ª temporada com 13 episódios) 30.000,00
Criação de universos transmidiáticos (planejamento transmidia para produtos/programas televisivos / se estiver fora da negociação do contrato) 15.000,00

AR.

Emmy Internacional 2012 com seis produções brasileiras indicadas

9 out

Hoje pela manhã, foi divulgado em Cannes os indicados ao Emmy Internacional 2012. Para quem não sabe, o Emmy é o Oscar da Tv, simples assim. Entre os escolhidos, na categoria melhor série infanto-juvenil, a série brasileira Julie & Os Fantasmas. Série produzida pela Mixer, Tv Bandeirantes e Nickelodeon. Série em que trabalhei ao lado de grandes roteiristas.

Julie foi meu primeiro trabalho com dramaturgia e eu sei a sorte que eu tive. Não pelos motivos que se pode imaginar, não existe sorte nesse sentido. Tenho sorte pelas pessoas que conheci. Trabalhei com gente que respeito, admiro e que gosto de verdade. Não vou estender esse sentimentalismo todo, o Fredo não é lugar para isso, mas essas pessoas sabem do que eu estou falando. Então, obrigada a todos vocês por tudo.

Também foi indicado na categoria telenovela, O Astro, produção da Rede Globo, adaptação de Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro. Eu já declarei, talvez pelo twitter, o quanto o Astro é incrível como texto. Os números do Ibope também não mentem sobre o sucesso.  Nesse ano tive o prazer de conviver com Alcides Nogueira, uma pessoa de uma nobreza única. Mais uma vez, corta o sentimentalismo, então, queria dizer que desejo toda a sorte do mundo ao querido Tide e que eles merecem muito.

Grande Julie e grande Astro.

Então é isso.

Seis produções brasileiras, uma telenovela global e outra, uma série  feita em uma produtora em São Paulo, estão entre as melhores da Tv de todo o mundo. Como disse o querido Vitor Oliveira, do Prefiro Melão e colaborador do Astro, pedra ametista e fantasmas juntos nessa.

Parabéns a todos nós, queridos.

Genialidade – I

23 set

É bem evidente que meu filme favorito em todos os quesitos imagináveis é O Poderoso Chefão, a trilogia. Não vou fazer um doctoring do roteiro porque seria antes de mais nada estupidez da minha parte, esse roteiro é irretocável. Então, irei elogiar.

Vou falar da primeira cena de O Poderoso Chefão – I, do trecho que vai de 23 até 32 segundos no vídeo acima. Sim, só 9 segundos. E sim, dá para ser genial nesse pequeno espaço de tempo.

Bonasera abre a cena falando : Eu acredito na América. A América fez minha fortuna. Eu criei a minha filha do jeito americano. Dei liberdade a ela, mas avisei para nunca desonrar a sua família.

Tenho certeza absoluta que na grande maioria dos casos, autores, escritores, roteiristas e o nome que vocês quiserem dar, escrevem uma coisa sem subtexto, sem nenhum outro significado contido e nós, sempre querendo ser inteligentíssimos, ficamos pirando e bolando milhares de teorias sobre coisas que não tem nada a ver com o que está escrito. Às vezes um ovo, é só um ovo, entendem? Mas não nesse caso. Não nesse filme.

1 – Eu acredito na América – Todos sabem a história de miséria que viviam na Itália os imigrantes que vieram para a América. A América era a única chance deles. Era a terra prometida.

2 – A América fez minha fortuna. – Como era tudo ou nada, trabalharam. Não passariam pelas dificuldades que passavam em sua terra natal e sabiam que tudo dependia do trabalho deles, já que dinheiro não tinham. Mas passaram a ter  e fizeram suas fortunas.

3 – Eu criei a minha filha do jeito americano – Vieram, trabalharam, conseguiram uma situação melhor de vida e tiveram filhos e aqui os criaram porque agora, a América era o lugar deles. Isso fica muito claro no filme com a relação entre o Michael e Don Vito.  Michael é um soldado defendendo os Estados Unidos. Don Vito sonha com o dia em que ele será Congressista. Os italianos adotaram os lugares onde passaram a viver.

4 – Dei liberdade a ela, mas avisei para nunca desonrar a sua família. – Bem, amamos esse país, jamais voltaremos a Itália, mas, vivemos sobre as regras de lá, cazzo! Somos italianos e somos orgulhosos de quem somos, capiche?

Essas quatro  frases do Bonasera representa toda a história dos imigrantes italiano na América. Servem para explicar  o contexto do Don Corleone e sua família. Na parte II, essas frases são encenadas na história do Don Vito. Muitos de nós conhecem de perto, dentro de casa, essa história. Mas o restante do mundo, que nada sabe sobre o conceito de Família para italianos, não sabem como é a história desses imigrantes que chegaram em outro continente sem nada no bolso e prosperaram? Mario Puzo e Francis Ford Coppola explicam. Em quatro frases. Simplesmente brilhante.

Brasil congelado

19 jul

Acordei cedo hoje e como de costume, fiquei de olho no twitter (@Tatidemello),  Todo mundo queria se congelar para esperar até as 9 da noite, quando começaria o capítulo 100 de Avenida Brasil. Quando digo todo mundo, me refiro a alta social media, gente que influencia dezenas de milhares de seguidores que também congelaram-se. Todos esperando o capítulo 100 de uma novela.

E assim seguiu o dia todo. Não se twittava sobre outra coisa. Ou se se twittava, não importava. Minha timeline inteira estava congelada. Todos os grandes portais de internet tinham um tutorial sobre como se congelar no photoshop.

Não me congelei, só porque não tenho a versão do photoshop para o Mac e só por isso, mas parei as máquinas porque não conseguia sair do twitter, desprogramei um post que entraria hoje e parei um novo que escrevia em função desse. Em função de Avenida Brasil.

O perfil da loja Ponto Frio ficou congelado.

E tanta movimentação em função de quê? De uma novela, fellas, uma novela de puro entretenimento e que pasmem, tem cenário, personagens, trilha sonora e diálogo  para agradar a nova classe C.

Me coloquei no lugar de João Emanuel Carneiro e me emocionou imaginar como seria movimentar um país com a minha obra.

Acredito que poucas vezes a dramaturgia brasileira viveu um momento como hoje. Alcides Nogueira, que escreveu com Lauro César Muniz O Salvador da Pátria, disse que na época tinha pixado nos muros Sassá Mutema para presidente. Um personagem. Outra marcante, o último capítulo de A Próxima Vítima, em que todo mundo queria saber quem era o serial killer do Opala preto.

Novelas param o Brasil.

E ainda assim querer escrever entretenimento, puro entretenimento, é visto com maus olhos, com uma arte menor. Ser popular e escrever para a massa? Imagina, somos bons e pedantes demais para isso.

Bom, só posso dizer uma coisa aos fellas roteiristas que ainda pensam assim:

OI OI OI

Parabéns ao incrível João Emanuel Carneiro que construiu uma trama tão foda, personagens tão complexos e que no capítulo 100 parou o Brasil com uma novela de tanta qualidade.

Ah, quem congelou o João Emanuel para mim foi o querido Rafael Gabden, @_urgh, do Frases do Rafael Gabden e Cartas para Pi. Obrigada! E não peçam para que ele congele vocês, ele tem mais o que fazer. E também obrigada para a Julia Bobrow, @Juliabobrow, que estava com o avatar mais incrível da minha timeline junto com o Daniel Guth , @Danielguth .

P.S.: Escrevi esse post pela tarde porque estaria em uma leitura dramática no horario da novela. Depois da leitura, aconteceu um debate e Marcelo Lazzarotto disse a seguinte frase : A arte não pode ser setorizada. Acho que cabe a Avenida Brasil

Roteiristas para Turma da Mônica

18 jul

Todo ano a Maurício de Sousa Produções  seleciona novos roteiristas para escreverem os maravilhosos gibis da Turma da Mônica.

E nesse ano, não será diferente. Estão abertas as inscrições para roteiristas, desenhistas e arte finalistas.

Como teste para roteiro, obviamente, o candidato terá que enviar um roteiro para HQ. No formato de HQ. Com desenhos. Sim, podem tirar seus lápis do armário e mão na massa!

No site não especifica a quantidade de páginas e nem o período para inscrição. Minha sugestão? Corram!

Todas as informações estão disponíveis no site. Boa sorte!

O de sempre – Sessão 05

16 jul

Eu sei, nunca mais vim aqui. Não gosto desse negócio de terapia. Quero carregar minhas dores, não apagar as cicatrizes. Quero viver assim.

Mas dias desses ouvi uma coisa que me incomodou. Me incomoda, martela na minha cabeça.

Estava criando com uma amiga e não acreditei que em pleno 2012 ainda existam meninas que sonham com um príncipe encantado.  Ela argumentou, falou para eu pensar em adolescentes, com menos bagagem, essas coisas. Eu não acreditava, não conseguia. Quando eu era adolescente, talvez. Agora? Impossível. Não comprei a história.

Não estou aqui para falar do quanto me tornei cínica e descrente sobre amor e essas coisas. Don’t ask about my business, Kay.  E aqui não é lugar para falar sobre isso. Voltemos ao que importa.  Aí minha amiga veio com a frase matadora. Você está muito fechada no seu mundo. Nocaute. E doeu. Sabe porque? Por que ela está certa.

Moro em São Paulo há 3 anos. Okay, quase 3. E desde então, nunca mais saí do eixo Perdizes – Higienópolis – Consolação – Bela Vista- Jardins. O Café de sempre, a livraria de sempre, o bar de sempre, a Av Paulista de sempre. As pessoas de sempre. De sempre.  Onde estão as minhas histórias?

Ah… Não quero falar mais. Ando quieta mesmo. Não, não quero falar sobre isso também. Quero novos ares.

 

 

E aí, vai uma pipoca?

15 jul

Entretenimento.

Do dicionário:  recreação, passatempo, divertimento.

Do cinema nacional: as maiores bilheterias dos últimos anos.

Okay, Tropa de Elite 2 tem sim um crítica social importante, um tema pertinente, mas me desculpem, os mais de 10 milhões de pessoas que foram ao cinema para assisti-lo, queriam mesmo era ver as altas confusões que o Capitão Nascimento iria aprontar em clima de curtição a bordo do caveirão. E sabem de uma coisa? Tudo bem! Na verdade, tudo ótimo. Tropa de Elite deu ao Brasil um herói nacional. Lembro quando foi lançado o primeiro, as crianças do meu bairro brincavam na rua de Capitão Nascimento, e isso era incrível. Um personagem que entre no imaginário popular desse modo? Um personagem de cinema? Isso é sensacional. Bom, o Tropa foi uma gloriosa exceção a regra. Toquei nesse assunto porque essa é a maior bilheteria da história do cinema nacional, mas não quero falar exatamente dele.

Estou falando de :

2011 – De pernas para o ar – Mais de 3 milhões e 500 mil espectadores ; Cilada.com – Quase 3 milhões e Bruna Surfistinha – mais de 2 milhões.

Como 2012 está ainda na metade, falarei de apenas 2, E aí, comeu ? – Alcançou no fim de semana passado mais de 1 milhão de espectadores e As aventuras de Agamenon, chegou muito próximo de 1 milhão também.

Queridos fellas, peço as mais sinceras desculpas, mas terei que falar coisas um pouco óbvias nas próximas linhas.

O que esses filmes tem em comum?

– Artistas globais? Check.

– Propaganda massiva nas Organizações Globo? Check.

– Boa distribuição nas salas de cinemas comercias, entendam Cinemark e outras redes? Check.

– Qualidade na narrativa, personagens interessantes, ótimos diálogos, boa história, imagens?

– Globo Filmes? Check.

– São filmes leves, para dar risada, ~descontrair com a galera~ enquanto delicia-se com uma pipoca de mais de 20 reais, cheia de manteiga? Check. ( Desconsiderem Bruna Surfistinha no quesito dar risada. Ou não.)

É entretenimento.

Podemos torcer nossos narizes o quanto quisermos, mas é exatamente isso.

No Oscar de 2012 um dos indicados a Melhor Roteiro Original foi a comédia romântica Operação Madrinha de Casamento. Costumo ser bem crítica e ter 2 pés atrás com os indicados da Academia, mas nesse ano essa categoria foi justa. Bem justa.

Ah, mas eles são os americanos, eles sabem tudo.

Nós também sabemos.

Vou citar dois de cabeça, Divã, o filme que era peça de teatro e que antes era livro. Ou seja, tinha tudo para dar errado como adaptação para o cinema. Deu muito certo e é ótimo. O outro? Se eu fosse você, filme engraçadíssimo, bem contado, bem executado, sucesso de público. Lidem com isso.

Sei que esses dois tem todos os checks daquela lista óbvia que escrevi.

Mas não são só esses os nossos filmes de entretenimento bem sucedidos. Desses, falarei durante a semana. E eles não tem quase nenhum dos elementos da lista das obviedades acima.

Escrevi um texto há algumas semanas falando sobre a nova classe C e como as emissoras de TV estão se virando para agradar os quase 60% da população brasileira. Parece que algumas pessoas do cinema estão se adiantando também.  Mais uma vez, lidemos com isso. ***

E aí, vai uma pipoca, fellas roteiristas?

 

*** Me expressei mal nesse parágrafo e não quis corrigi-lo, então farei um adendo. Não digo que o cinema tenha que agradar ao mesmo público da TV, mas sim agradar ao público que consome filmes nacionais de acordo com os números. E não me venham dizer que bilheteria não importa, por favor, todos nessa indústria, ou pelo deveríamos ver assim, como negócio, nada pessoal, precisam comer, pagar contar e continuar trabalhando.

Prêmio Sesc de Literatura

14 jul

No dia 01 de julho, abrem as inscrições para a edição 2012/2013 do Prêmio Sesc de Literatura.

O concurso é voltado para novos escritores de romances e contos. Será premiado um em cada uma dessas categorias para que tenha seu livro publicado pela editora Record, com tiragem de 2.000 exemplares.

Os vencedores também terão direito a 10% do valor de capa da venda do livro, valor de praxe para novos autores.

As inscrições se encerram em 30 de setembro.

Maiores informações aqui.

Uma singela homenagem ao Dia do Rock por Marty

13 jul

De frente com Robert Mestre dos Magos McKee

13 jul

Entrevista longa e que vale por meio seminário Story, com a autoridade máxima em roteiros, aquele que tudo sabe, o escritor da bíblia sagrada Story, o cara que tocou o terror durante seu seminário em São Paulo no ano de 2010 e ainda chamou os roteiristas brasileiros, todos, de vagabundos, Robert McKee.

Debra Eckerling: Existem componentes básicos para contar uma história convincente?

Robert McKee: Escrevi 500 páginas do meu livro Story para responder essa pergunta. É o mesmo que perguntar quais são os componentes básicos de música ou quais são os componentes básicos da pintura. Determinar o que é básico é muito difícil. Algumas pessoas, por exemplo, acham que o diálogo é um componente básico da história. Mas não em um filme mudo. Não no balé. Existem tantas formas de contar uma história maravilhosa em diferentes mídias e que sem nenhum elementos em comum com outras. Assim, determinar exatamente quais são os elementos básicos depende do meio.

Mas deixe-me tentar responder a essa pergunta fazendo uma definição simples e clara da história em si. História começa quando um evento, quer por decisão humana ou acidente no universo, radicalmente perturba o equilíbrio  na vida do protagonista, despertando no personagem a necessidade de restaurar esse equilíbrio. Para isso, o personagem irá conceber o que é conhecido como um “objeto de desejo,” o que ele sente quer fará sua vida voltar ao equilíbrio. Ele, então, deixará o seu mundo comum, nas várias dimensões da sua existência, para procurar esse objeto de desejo e lutará contra as forças do antagonismo que virão a partir de suas próprias naturezas interiores como seres humanos, suas relações com outros seres humanos, sua vida pessoal e/ou social, e o ambiente físico em si. Ele pode ou não conseguir esse objeto de desejo, e se conseguir, finalmente, ser capaz de restaurar a sua vida a um equilíbrio satisfatório. Que, da forma mais simples possível, define os elementos da história – um evento que lança a vida fora de equilíbrio, a necessidade e o desejo de restaurar esse equilíbrio, o objeto de desejo da personagem, que vem do consciente ou inconscientemente, e as forças de antagonismo em todos os níveis da sua vida que fazem com que ele atinja esse objetivo ou não.

DE : Qual a importância do processo de reescrever?

Robert McKee: É absolutamente crítico. Eu cito no meu livro o que Hemingway disse: “O primeiro esboço de qualquer coisa é uma merda.” O que é difícil para os escritores é reconhecer que 90% do que todos nós fazemos isso, não importa o nosso talento. Nós só somos capazes de escrever com excelência talvez em 10% do tempo. Então, como você vai preencher um roteiro com 100% de excelência? Tudo tem que ter sido experimentado, improvisado. Noventa por cento do nosso trabalho deve ser jogado fora, a fim de finalmente acabar com os 10% precioso de excelência. Se, por exemplo, você escreve um roteiro de 120 páginas com 40 a 60 cenas, e manter cada cena que você escreve, e seu chamado reescrever é apenas parafrasear e reparafrasear o diálogo, isso não é reescrever, é apenas polir. Reescrever significa uma mudança profunda e estrutural no personagem e na história. Isso é reescrita. Se você mantiver o primeiro rascunho de seus 40 a 60 cenas, você pode ter certeza de que, na melhor das hipóteses, 05% daquelas cenas são de qualidade. O resto é uma porcaria. Reescrever não é um trabalho penoso, significa recriar, improvisar e tentar todos os tipos de idéias malucas. Isso é reescrita.

DE: Quentin Tarantino disse uma vez: “O que distingue um artista americano é a sua capacidade de contar uma boa história.” Você concorda?

Robert McKee: Geralmente concordo com Tarantino, mas de forma limitada. Primeiro, não são os norte-americanos, é a tradição da língua inglesa. Em qualquer lugar em que o Inglês é a língua dominante, América, Grã-Bretanha, Austrália, Índia, há uma grande tradição em contar histórias muito ricas. Por outro lado, eu diria que a cultura cinematográfica mais impressionante e criativa no mundo agora está na Ásia, e eles estão contando histórias de suas tradições e culturas e elas são tão convincentes quanto as da língua inglesa. Mas Tarantino exagerou, porque cada grande língua, certamente o idioma espanhol, tem contadores de histórias magníficas, mas há uma tendência fora do inglês, especialmente nas línguas românticas, em colocar mais ênfase sobre o humor do que na emoção. Ou eles colocam mais ênfase em momentos estáticos da vida ao invés de momentos dinâmicos e  consequentemente, a narrativa na Europa é muitas vezes mais aberta, mais temperamental, mais contemplativo, mais intelectual talvez, do que as histórias que são contadas nos moldes Anglo-americano. Mas são generalidades e pode-se argumentar que muitos escritores de fora estão tentando usar a história para explorar aspectos da vida que o inglês ignora. Mas não importa, cada cultura produz obras primas. Assim, a declaração de Tarantino tende a implicar que as histórias contadas em inglês são melhores do que histórias contadas em outros idiomas, e isso não é verdade. Elas são apenas diferentes, não necessariamente melhores.

DE : O contar histórias é uma arte perdida?

Robert McKee: Não acho que é uma arte perdida, mas acho que perdeu energia. A capacidade de contar grandes histórias hoje está viva e bem. É que devido a certas restrições, a tendência hoje é favorecer o espetáculo  a substância. Não apenas no cinema, mas no teatro, as formas mais extravagantes de teatro. O contar histórias já passou por maus períodos como este no passado. Como era verdade há 100 anos, tanto na literatura como no teatro, estamos passando por um período novo, onde a narrativa se atrofia debaixo do esforço de muitos escritores que são atraídos para a superfície e produzem obras que são deslumbrantes na superfície, mas muitas vezes ocas. Por esta razão, acho que a melhor narrativa no mundo de hoje tende a ser na televisão, porque a tela da televisão não se presta ao espetáculo. É pequena, e assim o tiro mais expressivo tende a ser o close-up, e quando você mover a câmera nos personagens eles começam a falar. No melhor da televisão de hoje, e especialmente na América onde estamos vivenciando uma época de ouro da televisão, os dramas que são criados são longos, ricos, profundos, complexos e fascinantes. Acho que uma das razões de televisão estar crescendo na sua influência em todo o mundo é porque na televisão não há sentido em tentar ser espetacular, e os escritores são forçados a voltar para a substância do conflito humano nos relacionamentos, e, como resultado, eles estão a produzir, em geral, o melhor trabalho. Portanto, não está perdida, apenas mudou  de  endereço.

DE : Você usa a expressão “desenho da história” com freqüência. O que significa isso?

Robert McKee: Um evento vem ao longo da vida e o chamamos de “incidente incitante.” Ou por acaso ou por  escolha, ou ambos, é mexido no equilíbrio da vida do personagem. Esse desequilíbrio desperta no protagonista o desejo de colocar a vida de volta nos eixos. Para isso, ele concebe algo que precisa, um objeto de desejo por assim dizer, que sente que irá restaurar o equilíbrio de novo. Poderia haver justiça, poderia estar colocando o bandido na cadeia, ou, como no filme About Schmidt, poderia ser uma razão para viver. Seja o que for, eles buscam isso. A concepção da história é construída a partir desse incidente incitante, quando a vida saiu de equilíbrio, para o clímax quando o equilíbrio é restaurado para melhor ou para pior. Eventos devem ser concebidos de forma progressiva para manter o interesse emocional e intelectual do público por duas horas sem interrupção e entregá-los a uma experiência gratificante. Exatamente como isso funciona, filme, história do filme e história, é infinitamente variável. A tarefa de um bom projeto é a realização de gancho, e do retorno do público. Se isso funcionar, então a história pode estar em um ato ou dez atos, que pode ser mono-enredo ou trama múltiplas, de qualquer gênero.

 DE : Há “regras básicas” para a criação do incidente de incitante?

Robert McKee: O termo “regras básicas” é inadequado quando se fala sobre qualquer aspecto da escrita, inclusive incidente incitante. Como já disse muitas vezes: as formas de arte não têm regras, toda a arte é guiado por princípios. As regras são rígidas. Eles dizem: “Você deve fazê-lo desta maneira!” Princípios são flexíveis. Eles dizem: “Esta forma subjacente a natureza da arte e é convencional na prática. No entanto, pode ser dobrado, quebrado, ficar oculto ou de cabeça para baixo para atender usos não convencionais.” As regras são aplicações objetivas que exigem nenhum sentimento dos personagens da história ou eventos; seu uso se justifica pela sua função tradicional e sua familiaridade confortável para o público. Princípios exigem uma compreensão profundamente subjetiva do efeito de uma técnica para a frente e para trás ao longo do cronograma de eventos de uma história. Um princípio orienta o uso do escritor de seus materiais – motivações, caracterizações, coincidências, configurações e flash-backs/flash-forwards set-ups/pay-offs e semelhantes – em termos de seu efeito sobre ambos os personagens e público. A regra é microscópica, um princípio é macroscópica.

Em termos de incidente incitante, há apenas dois dos seus princípios diversos, Colocação e Efeito estão inter-relacionadas, se influenciam mutuamente, e dependente de sentido subjetivo do autor da função.

Uma colocação,:  O incidente incitante muda radicalmente a vida de um protagonista. Portanto, não desperdice o tempo do público. Traga o incidente incitante para a história o mais rápido possível.

Segunda colocação: Não introduzir o incidente incitante até que ele tenha o efeito emocional e intelectual desejado sobre o público para que simpatize com o protagonista.

Então qual é o momento? Quem pode dizer? Em cada história é diferente. Quanto o público precisa saber da história antes de ser inserido o incidente incitante? Em algumas histórias nenhum, já em outras muito. Como e quando é o público cria empatia com o protagonista? Em algumas histórias imediatamente, em algumas nunca e em outras em algum lugar ao longo do caminho. As respostas a todas estas questões exigem do escritor uma rica compreensão intelectual do universo da história e personagens, bem como uma profunda sensação subjetiva dos sentimentos, texturas e emoções que fluem dentro da história e para fora, para o público. Não existem regras. Todos os artistas que queiram escrever deve parar de pensar dessa maneira.

DE : Quais são os fundamentos principais na definição do enredo da história?

Robert McKee: Por “definição”, você quer dizer por gênero ou por criação? A trama poderia ser definida por gênero, o que significa dizer que define a história por elementos que compartilham com outras histórias, ou um enredo pode ser definido pelos elementos dentro de si. Mais uma vez, vou destacar que a expresssão “chave essencial” é inadequado na arte, porque todos os elementos de uma forma de arte são mutuamente essenciais. Não é como se, digamos, um escritor pudesse tornar cada elemento de sua história primoroso, com exceção do diálogo, que incomoda  o público como as unhas em um quadro negro, e depois esperar que o mundo vá perdoá-lo porque tudo o que ele queria era qualidade. Vou lhe dar uma pequena lista de três elementos da trama que vem à mente, em nenhuma ordem particular de importância, deixando de fora dezenas de outros: gancho, substância, clímax. Estes elementos vêm em forma de perguntas o escritor pede-se como eles funcionam:

Gancho: O gancho do incidente incitante envolve a curiosidade do público e faz com que em suas mentes apareça a grande questão dramática: “Como isso vai acabar?”

Substância: A constante busca do protagonista e como segurar o público?

Clímax: Responder a todas as perguntas do público, do porquê e como?

DE : Quais são as questões críticas que um escritor se pergunta antes da elaboração de uma história?

Robert McKee: Além da imaginação e percepção, o componente mais importante de talento é a perseverança – a vontade de escrever e reescrever em busca da perfeição. Portanto, quando a inspiração desperta o desejo de escrever, o artista imediatamente pergunta: essa idéia é tão fascinante, tão rica em possibilidades, que  quero passar meses, talvez anos, da minha vida em busca da sua realização? É esta história tão emocionante que vai fazer eu me levantar todas as manhãs com fome de escrever? Será que essa inspiração me obrigar a sacrificar todos os outros prazeres da vida em minha busca para aperfeiçoar a minha narrativa? Se a resposta for não, encontre uma outra ideia. Talento e tempo são requisitos para um escritor. Então porque entregar sua vida a uma ideia que não vale a pena?

DE : Como você se sente sobre as tendências que afetam a história e o ofício?

Robert McKee: As pessoas vêm até mim o tempo todo falando sobre as tendências do cinema e como o futuro da história está indo para a tecnologia 3D e realidade virtual, os jovens, especialmente, porque eles estão sempre fascinados com a nova tecnologia. Mas eu não. Eu sei que não importa o que a tecnologia é, se eles não têm nada a dizer, e eles não sabem como dizer tudo o que eles têm a dizer. Me preocupo com a qualidade da narrativa que inspira o trabalho. O meio ou a tecnologia que usam não importa. Se o futuro da história está em riscar fotos na calçada, isso realmente não importa. O que importa é a forma, o conteúdo, a inspiração e talento do artista.

DE : Você recentemente expandiu o Seminário Story de três dias a quatro dias. O que os alunos podem esperar?

Robert McKee: O novo quatro dias, formato 32-horas faz quatro coisas importantes: um, ele adiciona temas importantes para a palestra como a adaptação de romances e peças de teatro para a tela, as principais diferenças em escrever para televisão e para o cinema, a teoria sobre os títulos, a ironia em planejar e afins. Dois, ele me dá tempo para entrar com muito mais profundidade sobre temas convencionais. Três, que permite muito mais tempo para o face a face, entre eu e meus alunos. Quatro, é mais civilizado em termos de seus intervalos dentro da palestra e sua ruptura da noite para jantar e dormir.

DE : Será que uma história precisa sempre de ser crível? O que a torna crível? 

Robert McKee: Sim. O público deve acreditar no mundo de sua história. Ou, mais precisamente, na famosa frase de Samuel Taylor Coleridge, o público deve suspender voluntariamente a sua descrença. Este ato permite ao público acreditar temporariamente em seu mundo como se fosse real. A magia de como se transporta o público do seu mundo privado para o seu mundo ficcional. Na verdade, todos os belos efeitos e satisfatórios de uma história – suspense e empatia, lágrimas e risos, significado e emoção – estão enraizados no grande quanto se acredita. Mas quando o público não acredita, quando argumentam a autenticidade da história, que romper esse mundo. Em um dos casos as pessoas se sentam em um teatro, mal-humoradas com raiva, embebido em tédio, no outro, eles simplesmente atiram o seu romance no lixo. Em ambos os casos, a audiência falará mal de você e de sua escrita, causando o dano óbvio na sua carreira.

Tenha em mente, entretanto, que credibilidade não significa atualidade.

Os gêneros de realismo não, como Fantasia, Sci-fi, Animação Musical, e os mundos inventam histórias que nunca poderia existir de verdade. Em vez disso, obras como Matrix e Procurando Nemo criam suas próprias versões especiais da realidade. Não importa o quão bizarro alguns desses universos possa ser, eles são internamente fiéis a si mesmos. Cada história estabelece suas próprias regras de como as coisas acontecem, os seus princípios de tempo e espaço, de ação física e comportamento pessoal. Isto é verdadeiro mesmo para obras de avant-garde, a ambição pós-moderna que, deliberadamente, chama a atenção para a artificialidade de sua arte. Não importa o que sua história de ficção seja, desde que sejam estabelecidas regras. Assim o público irá seguir livremente seu universo como se fosse real – desde que as leis de ação e comportamento nunca sejam quebrados.

Portanto, a chave para a credibilidade é a consistência interna. Seja qual for o gênero, a consistência é a sua auto-validação. Você deve dar a definição de sua história no tempo, lugar e sociedade o suficiente para satisfazer a curiosidade natural do público sobre como as coisas funcionam, e então sua narração deve permanecer fiel às suas próprias regras. Depois de ter seduzido o público a acreditar na sua história como se fosse verdade, você não deve violar suas próprias regras. Nunca dê ao público uma razão para questionar a veracidade de seus eventos, nem a duvidar das motivações de seus personagens.

 DE : Como você projeta um final que mantém as pessoas ligadas?

Robert McKee: Por “um final que mantém as pessoas ligadas” você quer dizer o gancho no final de um episódio de série que faz com que as pessoas queiram saber o que vão assistir na na semana seguinte? Ou você quer dizer um clímax história que leva o público a elogiar sua brilhante história para amigos e familiares?

Se for o primeiro, sei dois métodos para ligar e manter a curiosidade do público ao longo de um período de tempo.

A. Criar um Cliffhanger. Iniciar uma cena de forte ação, cortar ao meio, deixar o público em suspense, e em seguida, concluir a ação no início do próximo episódio. 24 horas faz isso brilhantemente semana após semana.

B. Criar um ponto de virada com o poder e impacto de um clímax. Uma virada naturalmente, levanta a questão sobre o que “o que vai acontecer a seguir?” e mantem o interesse sobre os comerciais em um único episódio como em Law and Order, ou durante a semana entre os episódios de Sopranos.

Já no último caso, a satisfação  com o clímax da história tendem a ser aqueles em que o escritor guarda uma última carta na manga. Em um súbito clarão de compreensão, o público percebe uma verdade profunda que foi enterrada sob a superfície da história. Toda a realidade então é instantaneamente reconfigurada. Essa percepção não só traz uma enxurrada de novos entendimentos como também uma emoção profundamente gratificante. Como um exemplo recente: o clímax soberbo de Gran Torino.

 DE : Quais são as carências que se encontra nos roteiros?

Robert McKee: Três me saltam à mente:

Cenas maçantes. Por razões de conflito fraco ou talvez de formações pobres e batidas de comportamento, a cena cai por terra. O valor dos personagens em uma história é exatamente o que está em cena. Atividade não são ações dramáticas em uma história. Em suma, nada realmente acontece, nada muda.

Exposição estranha. Para conveniência do escritor, os personagens dizem uns aos outros o que todos já sabem. Este moviemnto falso faz com que o público perca a empatia.

Clichês. O escritor reciclar os mesmos eventos e personagens que vimos inúmeras vezes antes, pensando que se ele ou ela escreve como outros escritores, também vão contra o sucesso.

 DE :  No Seminário Story você diz que a melhor maneira de ter sucesso em Hollywood é escrever um roteiro em que você se supere. Se você tem um ótimo roteiro, como fazer com que seu roteiro chegue as mãos certas?

Robert McKee: Se você escreve um roteiro péssimo, você não tem nenhuma chance. Mas se você criar um trabalho de superação, Hollywood ainda é um filho da puta. Porque a menos que você pode tenha contato com um ator ou esteja na lista de um diretor top, você precisa de um agente. E a primeira coisa a entender sobre agentes literários é que, embora eles possam ou não gostar de você, eles têm carreiras. Vender roteiros é como colocar gasolina em seus BMWs. Como todo mundo, eles querem  dinheiro para pagar as contas. Então eles têm pouca ou nenhuma paciência para passar meses ou até anos apresentando o seu trabalho para dezenas de estúdios, e esperar para sempre uma resposta. Eles querem ler um trabalho que eles possam vender rápido. A qualidade da escrita importa muito, mas o que qualquer agente quer sentir é se novo, clichê, arte,  comercial. E quem é que pode afirmar se isso está certo? Sorte é uma grande parte da vida de um escritor.

[Mas] para começar, primeiro alugue todos os filmes recentes e programa de televisão que é de alguma forma parecido com seu roteiro. Anote os nomes nos créditos da escrita. Chame o WGA, para pedir o escritório de representação e descobrir quem são os agentes desses escritores. Isso cria uma lista de agentes que vendem produtos muito parecidos com o que você escreveu. Em seguida, vá para a Amazon.com e compre The Hollywood Creative Directory e encontre os endereços desses agentes. Não ligue para eles. Em vez disso, escreva uma carta intrigante sobre você e sua história e envie para cada agente em sua lista. Espere, Deus sabe quanto tempo, para ouvir de volta. Se a sua carta cativa a curiosidade, e se você enviar um número suficiente delas, as chances são de que alguns agentes vão realmente querer ler o que você escreveu. Quando isso acontecer, rezarei para que seu trabalho seja de qualidade.

DE : Para um escritor iniciante, o maior desafio parece ser sempre o início. Que conselho você daria?

Robert McKee: Por início você quer dizer escrever o capítulo de abertura ou apenas entrar em pânico? Neste último caso, você está bloqueado pelo medo. Sugiro então que A Guerra da Arte de Steven Pressfield. Vai ajudar a encontrar a coragem para enfrentar a página em branco. Se o primeiro é o problema, primeiras cenas ou capítulos iniciais são geralmente descoberto depois de ter concebido o seu incidente incitante.

Se você sentir que seu incidente incitante, sem qualquer conhecimento prévio de biografias de seus personagens ou sociologias, imediatamente prender o leitor, então use-o para começar a história. Por exemplo, Kramer vs Kramer começa quando a Sra Kramer abandona o Sr Kramer e o filhinho deles.

Se você sente que precisa fornecer uma exposição sobre a história, personagens e ambiente para que se entenda a importância do incidente incitante, então esta exposição – bem dramatizada, é claro, talvez até mesmo a construção de um subplot – deve ser o começo.

O princípio é: Conte o incidente incitante o mais rápido possível, mas não sem que ele leve o público a criar empatia e curiosidade. Encontrar o posicionamento perfeito do incidente incitante é a chave para iniciar qualquer história.

A original aqui.