Sobre o Humor – Sessão 2

13 maio

É, faltei nas últimas semanas. Mal comecei a terapia e já falto. Estava com um trabalho pendente que não me deixava nem pensar direito. Tinha outras coisas também, estava muito ocupada. Tudo virou motivo para não aparecer por aqui, essa é a verdade, para quem estamos mentindo?

Hoje finalmente terminei o trabalho. Devia ter vindo nas outras semanas para falar dele. Soube na hora em que peguei a escaleta na mão que eu tinha que falar com você sobre. Mas sabe como é, preferi sofrer, não dormir, ter crises. Sabe aquelas cenas do Larry David no Tudo Pode dar Certo em que ele fica gritando The horror! The horror! de pijama pela casa? Essa era eu, mas eu gritava O humor! O humor! 

O humor. Fiquei traumatizada. Falava isso brincando mas é a pura verdade. Lembro de um produtor dizendo mais humor, mais humor. Era a sinopse. Não tem piada em sinopse. Jesus Christ. Lembro de um roteiro que era para ser engraçado e eu fiz piadas sensacionais. Eu as achei sensacionais. Mentira, nunca achei. Meu namorado achou. Ele lia meus roteiros. O diretor detestou. Com exceção de uma situação, uma coisa que eu tinha feito e não era engraçada. Pelo menos não para mim naquela época. Pensando bem agora, até que foi bem engraçada. Mas sabe, ver os outros rindo de você, ta chamando de louca, não é assim muito divertido. Ouvir aquela situação x é muito engraçada, surreal, é isso que eu quero não é nada fácil. Jurei nunca mais usar minha vida para um roteiro. Não cumpri. Mas esse não é o assunto, estou ficando boa nesse negócio de manter o foco.

Desde esse trabalho eu nunca mais escrevi humor. E agora, caiu na minha mão uma sitcom que é para ser de chorar de rir. Quer dizer, mais ou menos porque o tipo de humor que me pediram para escrever mescla uma sitcom e um ~humorista~ que não vejo a menor graça. Inclusive garrei um ódio desse humorista de tanto ouvir escreva um humor no estilo do fulano, fulano é muito engraçado, assista os programas do fulano. Olha só, eu quero é que esse fulano vá para a puta que o pariu. Me dava vontade de falar isso para eles. Se bem que aqui caberia melhor o puto que o pariu, mas deixa para lá. E também não é para que eu ache engraçado, mas para o público achar. E eles curtem o ~humoristão~ e seu programas.

E o pior, as pessoas me acham engraçada e sei que sou. Escrevo textos com humor para o meu blog, já te falei que tenho um blog né?, só que na hora em que abro o Final Draft, abro a escaleta, nada. Tudo fica horrível. Mas não é que só sem graça, o próprio texto saí muito ruim, mas muito ruim mesmo, sabe? Uma vergonha, um roteiro que se não estivessem me pagando eu jamais mostraria para alguém. Eu sei que está ruim porque dá para saber, sentir.  É no tato, sente-se na hora que esta digitando, na ponta dos dedos. Parece que trava.  E não estou me desmerecendo e nem com um preciosismo exagerado. Estava uma merda e ponto. Ah e outra coisa, só porque você faz piadinhas na vida, não significa que você escreva algo que seja engraçado. Muita gente devia entender isso. E o meu humor natural é tipo o do Woody Allen, meio mal humorada e tenho as minhas sacadas, mas daí a ser a humorista? Não, definitivamente não.

E outra, eu não gostava da protagonista. Ela é uma chata. Detesto. Ou eu é que passei a achá-la assim pela minha total incapacidade de botar palavras legais na boca dela. Bem provável. E se você, o roteirista não embarca junto com o protagonista, já era, o público não vai embarcar. Estava sem tesão para esse trabalho, essa é a grande verdade. E sem tesão não rola. Mas estava sendo paga, bem paga. Fica parecendo uma relação de prostituta e cliente, não? Talvez seja. Espero que eles gozem no final.

Enfim, um amigo me disse para parar de reclamar do tal fulano humoristão e assistir ao material dele e foi o que fiz. Mas assisti também muito Seinfeld, Louis C.K. e o próprio Larry David que já falei aqui hoje. Amo Louis e Larry, eles sim são engraçados. Mirei neles, mas misturado com o fulano tenho certeza que acertei Escolhinha do Gugu. Queria fazer um trabalho bom, me esforcei, fiquei sem dormir e quando cochilava, acordava pensando no tal roteiro, no humor, humor.

E sabe o que é mais engraçado? Vou usar outra expressão. Sabe o que é mais curioso? Na quarta feira tive uma idéia para um projeto e guess what? Sitcom. Escrevi o projeto e o piloto na quinta e sexta e hoje terminei o segundo tratamento do roteiro. Simplesmente foi. Assim, fácil. E sabe, achei bem engraçado, de verdade. Tá certo que a pegada não é a mesma do que eu estava fazendo, mas ficou legal, ficou bom. Viu como evolui? Acho meu trabalho bom, sou dessas agora. Foi um modo de lidar com a minha crise e funcionou. Talvez eu te dispense e cada vez que tiver que lidar com algo eu faça um projeto novo. Brincadeira. Mas acontece que funcionou de verdade, acho que peguei a minha veia humorística e piloto do outro acabou ficando melhor e não o considero vergonhoso, está bem aceitável até. Quero ver os produtores gargalhando, dizendo que eu sou a criatura mais engraçada desde Andy Kaufmam. Tá, sei que isso não vai acontecer, mas sou uma sonhadora, o que posso fazer? E o Kaufman definitivamente não é um bom exemplo também, mas para mim o Supermouse dele é a coisa mais engraçada da face da Terra. Vou enviá-lo amanhã e que Deus nos ajude. Estou satisfeita com o que escrevi e até gosto da protagonista agora. Precisei de um projeto novo para exorcizar o meu fantasma e poder trabalhar decentemente.

Semana que vem eu volto, eu juro.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: