Sobre os filmes que amo – Sessão 3

20 maio

Terapia só para choradeira? I don’t think so. Gosto de colocar no shuffle do Ipod e deixar que pelo menos em algum momento do meu dia eu não precise escolher nada. Tenho altas surpresas. 16 gb de surpresa. Como minha vida é interessante… Uhu! Tudo isso para dizer que dia desses tocou uma música linda que é trilha de um filme incrível que eu esqueci com o passar dos anos. Um filme que mudou a minha vida. Não o esqueci na verdade, impossível esquecê-lo. Uma coisa puxa a outra e lembrei de outros filmes, no caso mais um filme e uma série que mudaram a minha vida.

Desde que eu era um toco de gente, dizia que queria fazer faculdade de Direito. Não era uma criança interessante querendo ser astronauta, bailarina, trabalhar no circo. Engraçado, cada vez mais em vejo com uma show woman circense, uma hora sou domadora de leões, na outra equilibrista e na maior parte do tempo palhaça sem graça nenhuma e deprimida. Foco. Eu não queria ser advogada, queria ser promotora. Queria combater o crime, prender os mal feitores. Jesus Christ, onde foi que eu deixei essa inocência? A quero de volta e agora! Fui crescendo e continuei querendo ser promotora, mas sei lá sabe? Tinha algo estranho. Claro, eu cresci sonhando em fazer faculdade de Direito, só podia ter algo estranho. Aí assisti esse filme. Despreocupademante. Por causa da música na verdade. Eu tinha 17 anos? Isso, ano 2000, 17. A minha história era muito parecida com a do Willian, a mãe, o sonho, o amor pela música, a solidão. A solidão era idêntica. Eu também amava o rock, sempre amei, nas minhas veias correm riffs de guitarra. O problema é que a minha cena não era a mesma que a dele. Eu não estava nos Estados Unidos na década de sententa. Corrigindo, eu não era jovem na década de 70 nos Estados Unidos. Ser jovem é vem importante, eu e ele tinhamos a mesma idade. O que eu ia fazer, seguir as bandas de rock curitibanas, risos, e escrever sobre elas? Porfa. Talvez por isso eu tenha insistido no Direito. Mas não por muito tempo. Tá bom, eu tinha medo tá? Não é fácil abrir mão de uma vida toda planejada, que ia dar certo, tinha tudo para isso. Tudo se eu não tivesse percebido que essa vida não pertencia a mim. Ainda bem que percebi logo, imagina passar anos sem saber o que esta errado. A música libertou o Willian/Cameron e o fez ter coragem para fazer o que quisesse da sua vida. Quase Famosos ajudou a me libertar também. Urgh, como eu sou brega, Deus do céu. Que clichê mais ridículo… Mas é a verdade, o que posso fazer? Outra coisa, que tipo de idiota eu sou para me influenciar com qualquer porcaria e arruinar a minha vida? Talvez a ruína da minha vida perfeita tenha sido a minha salvação. Esses filmes hollywoodianos diabólicos…

No primeiro texto do blog eu disse que não lembrava como tinha entendido que era roteirista. E não lembro mesmo. Mas lembro de uma aula que eu quase sempre chegava atrasada. História do Cinema, era isso? O nome eu não lembro, mas o professor sim, um excelente professor, de doutorado, muito inteligente. E numa bela noite, sala escura, curta no telão, E eu, bem, eu simplesmente fiquei maravilhada e entendi como uma das coisas mais incríveis que já tinha visto na minha vida. A mais incrível, na verdade, não lembro de ter me emocionado diante de uma obra de arte como aquela. Era mágico. Estou tentando achar uma outra palavras, mas não consigo. Mágico, só isso. Só consigo comparar com a emoção que senti em um Natal, eu devia ter uns 8 anos acho, eu e meus primos queríamos bicicletas. Na noite da Natal, a árvore montada, presente a postos. Presentes entregues, nada de bicicleta. Ficamos felizes, claro, mas né, cadê as bikes. Um dos meus tios veio do lado de fora e chamou a criançada na sala. Disse que alguém tinha acabado de sair da churrasqueira, pulado o moro e saiu correndo. Não, não era assalto, ele tinha deixado coisa lá. Coisas para nós, crianças. Saímos correndos que nem uns loucos e adivinha só. Eras as bicicletas! O Papai Noel tinha trazido as bicicletas! Sim, foi o Papai Noel e não ouse me corrigir, ok? Amo o Papai Noel. Foi um dos momentos mais incríveis da minha vida, meus olhos brilhavam, sabe, era um sonho. Essa era a emoção do La Voyage dans La Lune. Ali eu soube que queria fazer isso, não sabia o que, se dirigir, fotografar, escrever, fazer tudo ao mesmo tempo e ainda vender a entrada e estourar a pipoca na sessão dos meus filmes. Era isso. Passei minha vida toda, 24 anos até ali, tentando achar o que eu queria e era aquilo. E pura magia. Mélies era mágico, de profissão, antes de ser cineasta. Só podia ser. Fiquei fascinada com como com as poucas condições que tinha ele fez aquilo. Era o começo, era o homem aprendendo a lidar com o fogo. Depois veio Nosferatu, Encouraçado Potenkin e O Nascimento de Uma Nação. Eu amo esses filmes, muito, não pelo lado cult da coisa, mas porque mexem comigo, me deixam hipnotizada, sorrindo, emocionada, enfim, como uma boba. Me fazem sentir bem. Engraçado, esses dois filmes, Quase Famosos e La Voyage, eu associo com músicas. Quase Famosos, Tiny Dancer, shure, foi ela que me fez lembrar dele, fazia muito tempo que não ouvia. La Voyage dans La Lune inspirou o Smashing Pumpkings no clipe de Tonight Tonight, dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris, a dupla Miss Sunshine. E Tonight Tonight me traz os mesmos sentimentos do filme do Mélies. Amo essa música também. Claro que a acho grandiosa por causa disso. E por causa da orquestra, do Cello. Adoro Cello, intenso, forte.

A série. Sopranos? Mad Men? Supernatural. Sim, Supernatural. Uh, ela não é cool. Foda-se. Assistindo Supernatural eu tive a idéia para o meu primeiro projeto. O Inexplicável foi tão, mais tão importante para mim. Me fez ver que eu estava certa e que não arruinei minha vida por um sonho que era só isso. Me fez trabalhar com pessoas criando. 17 primeiro. 11 depois. 17 e 11 pessoas numa sala de criação. Todas falando ao mesmo tempo. Todas querendo ser uma mais brilhante que a outra. Falando nos humanos, me fez fazer amigos, pessoas que se tornaram muito queridas para mim e que são meus grandes amigos aqui. Gente importante para mim. Muito importante. Uma dessas 11 pessoas passou a me odiar também. Só uma entre onze? Ok para mim. Me deu também o meu primeiro trabalho de verdade como roteirista. Nossa, esse dia. Tão rápido. Merecido. Quem diria que o Padre Miguel me daria tudo isso? O nome Miguel é simbólico,  como todos da série. Amo o mito Miguel e Lúcifer. Amo, pirei muito em cima dele. As vezes morri de medo também, mexer com essas coisas as vezes assusta. Mesmo que esse projeto jamais saia do papel, o que é muito provável, sempre terei muito orgulho dele. Mas muito. Sabe porque? Por que ele é foda. Ele é muito bom, desculpa mundo. E tudo isso veio de um dia em que eu assistia Supernatural.  Eu amo Sopranos com cada fibra do meu corpo, a verdade é que eu reconheço tanto aqueles sentimentos, os personagens daquela família que ás vezes me assusta, mas Supernatural é a série da minha vida. Até hoje. Espero que um dia eu diga o mesmo de Sopranos e Mad Men. Se eu conseguir terminar aquele projeto. O famoso. 1 fucking ano e meio.

É, eu sei, precisamos falar disso. Na próxima?

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