Sobre o medo. De novo. – Sessão 04

10 jun

Encontrei esse texto do ano passado no ótimo site Scripped e achei que valia a pena traduzir. Farei considerações ao final.

Algumas coisas sobre “o medo de finalizar um projeto” de um roteirista

Por Britt J.

O medo de terminar um roteiro pode aparecer de repende, de forma ilógica justamente no momento em que a sua criatividade está fluindo.

Diferente de um bloqueio criativo, essa fobia costuma manifestar-se de modo crônico e oposto ao sentimento de frustração ou ao da capacidade de lutar. Ela pode durar semanas ou meses, ou até que seu cérebro ferva de modo que comece a parecer com a sopa que você toma no jantar.

Você já se perguntou porque irracionalmente se auto-sabota? E também, porque se auto-sabota geralmente em seus projetos mais promissores?

Gostaria de dizer que esse processo é lógico e racional. Ele é bem mais simples do o famoso medo do fracasso.

Se você é um roteirista que acredita que tenha uma chance real de ter sucesso no mercado, esse sonho se tornou tão incrível que lhe proporciona conforto ao longo de sua carreira. Você pode vê-lo como uma carta na manga, quando fala-se de um plano de carreira, aquilo que você usará quando tiver já um nome no mercado ou sua última tentativa. E aí sim, você o escreveria a qualquer custo.

Um modo de acabar com esse medo, é cair na lógica e perceber que a probabilidade de um real sucesso comercial é bem menor do que a fama e o sucesso que aguardam o seu incrível roteiro logo ali, na esquina dos seus sonhos.

No sonho, a certeza de um final feliz é de 100%, então porque motivo você trocaria isso pela real possibilidade de que exista uns 25% de chance de que dê certo? Por isso é tão lógico a escolha de sonhar ao invés de executar.

A melhor maneira de sair desse impasse é desafiar essa lógica e entender que um resultado não excluí o outro. E por isso digo, depois de um esforço sincero para transformar seu sonho em realidade e mostrar seu projeto completo para produtores e emissoras, e não der certo logo na primeira tentativa, não significa que o sonho tenha acabado.

Significa que nesse momento, esse projeto em especial, nessa produtora ou emissora, não funciona. Mas o seu sonho, continua são e salvo.

Como Steven Pressfield em seu livro The War of Art, os sonhos mais específicos emergem de dentro de nós por algum propósito mais profundo, mais significativo. Podem ser vistos como marcos pessoais de nossos chamados mais intímos. E eu acredito que isso é o que torna nossos sonhos indestrutíveis, a menos que nós escolhamos destruí-los.

Você precisa perguntar porque sonha com escrever e vender um roteiro e não com, por exemplo, projetar uma máquina. Não é por acaso, provavelmente exista uma razão por trás.

Contrastando com todos as chances reais de fracasso, como má direção, má edição, marketing inadequado, e assim por diante, seu sonho de sucesso mantém-se em um nível de indestrutibilidade e, ironicamente, um nível maior de “realidade” do que todos esses fatos do mercado possa apresentar.

O sonho é um presente que jamais poderá ser tirado de você. Não importa quantas vezes digam não, a verdade é que o seu sonho é maior que a vida, e está seguro dentro de você. Desde que você deixe. Mas você o deixará. caso contrário nunca teria sonhado. Ao contrário das falsas deadlines impostas por você mesmo para concluir o projeto antes de da-lo como fracassado, o tempo para o sonho é infinito.

O segredo é aceitar que seu sonho de ser roteirista é indestrutível e ao mesmo tempo concluir o projeto. Aceitando esse fato verdadeiramente, a essência do medo de terminar o projeto gradualmente será uma barreira a menos para ser enfrentada.

O texto original em inglês.

****

Esse texto tem um tom bem de autoajuda e não sei se isso me agrada. Mas de vez em quando é bom ouvir que tudo vai dar certo e que os monstros que te assombram são apenas imaginários e se você acender a luz eles somem.

Uma curiosidade sobre o lidar com o primeiro não. Matthew Wainer, roteirista americano, levou 4 anos de nãos com sua série de baixo do braço, batendo de porta em porta em Hollywood. Ninguém queria.  4 anos de não para que chegasse o sim. Qual era o projeto? Mad Men. Pois é.

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