Chegou a hora, fellas! E quem diz isso não sou eu.

12 jun

Não é novidade a recente lei em que os canais de TV paga serão obrigados a exibir uma cota de programação produzida aqui no Brasil. Também não é novidade que essa lei já aqueceu o mercado e será importante para todos os profissionais da área.
Nesse domingo Fernando Meirelles deu uma entrevista à Folha de São Paulo falando a respeito. Vou publicar a entrevista que está no site da Folha porque nela, Meirelles deixa bem claro porque é um produtor e diretor diferenciado e porque a O2 é uma das maiores produtoras do Brasil.
Farei comentários em itálico abaixo das respostas e colocarei em negrito trechos importantes de Meirelles.

“Nova lei da TV paga fará indústria ser mais forte”, diz Fernando Meirelles
por Alberto Pereira Jr.

Uma semana após a publicação das últimas instruções normativas da Lei 12.485/2011, que fixa diretrizes para a TV paga no Brasil (veja detalhes acima), produtoras independentes comemoram o novo marco regulatório do setor.
Para elas, o estabelecimento de cotas obrigatórias de conteúdo nacional estimulará os negócios, já que ao menos 50% da faixa reservada a obras brasileiras deverão ser preenchidos por trabalhos de empresas independentes.
A íntegra da reportagem publicada na Folha deste domingo está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
Fernando Meirelles, sócio da O2 Filmes, uma das maiores produtoras independentes do país, se mostra entusiasmado com a nova lei da TV paga.
Leia a entrevista dele à Folha.
Folha – A demanda por conteúdo nacional já aumentou com a nova lei da TV paga?

Fernando Meirelles – No ato e imediatamente [risos]. Tivemos solicitações de praticamente todos os canais a cabo. Mandamos e-mail para todos os colaboradores da casa. De 54 projetos que vieram deles, selecionamos 32 e apresentamos para algumas emissoras na virada do ano.

Uma única produtora apresentando 32 projetos que vieram de fora, ou seja, feito por roteiristas que não são necessariamente contratados da O2. Está bom para vocês?


F – Era necessária a criação da lei para fomentar o mercado?

FM – Certamente. A maioria das emissoras de TV a cabo é filial de matrizes americanas. Para elas, é mais conveniente pegar um produto que é bom e está pronto, dublar ou legendar e exibir sem custo.
F- O que muda com a lei?


FM- As TVs são obrigadas a usar parte do seu faturamento em produção local. Essa lei vai ter o mesmo impacto que a Lei do Audiovisual [criada em 1993] teve no cinema. O Brasil fazia seis filmes por ano, veio a nova regra e, só em 2011, fizemos 105 longas. Foi a década de montagem da indústria. Não tenho dúvida de que, com a nova lei da TV paga, em dez anos vamos ter uma geração de programas muito mais forte.

F – Como os diretores de canais a cabo reagiram?

FM – Conversei com alguns executivos. É claro que teve um momento de reclamação, mas todos estão confiantes e, acho eu, muito mais estimulados a produzir.

Essa resposta se completa com a de pergunta sobre se era necessária a lei. Sabemos que houve um entidade, Sky, que realmente tentou combater a Lei. Em vão.


F – O público quer ver os artistas brasileiros na TV paga?

FM – Sim, mas não só isso. Tem o interesse de ver o próprio país.De ver a sociedade, ao invés de Dubai ou Xangai… As pessoas querem assistir a programas sobre São Paulo, sobre nossas cidades. As maiores audiências da TV a cabo são de programas brasileiros. O que dá mais certo na TV a cabo são os programas feitos aqui. É uma situação boa para todo mundo: incentiva o mercado, cria cultura e a produção e as TVs ganham mais audiência.
F – Qual gênero tem recebido mais encomenda?

FM – 
Tem um pouquinho de tudo. Apresentamos projetos de ficção para o GNT, ligados à Copa do Mundo. É um belo momento para quem tem projeto e para quem acabou de se formar e precisa trabalhar. É um marco na televisão e no audiovisual brasileiros.
Recado dado.

F -A tendência é um crescimento maior de damaturgia?

FM – Com certeza. Mais trabalho e oportunidades para atores e diretores. “Os Contos de Edgar”, que estamos fazendo para o FX, é dramaturgia. São histórias baseadas nos contos de Edgar Allan Poe.

Não disse fellas? E é ele quem falou.
F – Quais outros projetos já estão fechados com a TV paga?

FM – A Discovery estava procurando caras brasileiras para o seu elenco. Então, levamos um projeto de um jornalista meio aventureiro, chamado Fábio Lamanchia. É um cara que tem uma vida diferentona, viajando o Brasil. Temos o “360”, que é uma coincidência com o nome do meu novo longa-metragem, para a NatGeo. Vai ser uma série de programas meio jornalísticos, um “doc reality”, sobre problemas bem pungentes, como crack, educação, manejo sustentável de floresta, soja. Cada um dos temas é tratado de todos os pontos de vistas por meio de personagens.
F – Quais são os meios que a O2 usa para captar recursos para suas produções?


FM – A gente faz cinema, TV, TV a cabo e internet. Onde há uma brecha, temamos captar. Nunca usamos lei Rouanet, por exemplo. É uma lei supercomplicada. Por mexermos com publicidade, fazemos muitos projetos que são bancados com dinheiro não incentivado. O filme “Xingu”, por exemplo, contou com R$ 8 milhões de dinheiro não incentivado da Natura, da Fiat e da Globo. Os projetos que estamos fazendo com os canais Fox, “Os Contos de Edgar” e “360” não tem dinheiro de lei, é da própria Fox. Abrimos uma porta. As pessoas acreditam no negócio e passam a investir.
Umas das coisas que mais ouço de pessoas importantes do meio, é que o grande “problema” do cinema nacional são os roteiros, ou a falta de roteiros bons para serem filmados. Sempre acreditei que o grande problema do cinema nacional, muito antes de ser os roteiros, seja o fato de que ela toda, ou a grande maioria, dependa única e exclusivamente de dinheiro público para existir. Sim, dinheiro de impostos de empresas privadas é dinheiro público. A O2 ter uma postura diferente em relação a captação de seus recursos serve como exemplo de que é possível não viver, criar ou procurar projetos apenas focado em atender editais ou aparar-se unicamente na Lei Rouanet. Mais uma vez, grane parte dos filmes nacionais são frutos de leis de incentivo, pública e de empresas privadas, muitos editais e ainda patrocínio. Todos somos adultos o bastante para entender que estamos falando de negócios e ninguém está aqui para ter prejuízo, portanto é difícil. Mas difícil não é impossível, acho vale uma repensar como a indústria tem se portado. A O2 consegue não viver de lei e edital e estamos falando de grandes produções, consequentemente, falamos de grandes orçamentos. Parabéns ao Fernando Meirelles, produtor e diretor brasileiro de opinião e sem nenhum vestígio de acomodação em velhos sistemas falidos.

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2 Respostas to “Chegou a hora, fellas! E quem diz isso não sou eu.”

  1. Samuel de Castro 12 de junho de 2012 às 2:19 am #

    Legal. Fiquei feliz com a nova Lei, isso por que ainda não sou tão atuante no mercado, muito positivo essa abertura de possibilidades… E com essa analise do Meirelles, só confirma a boa novidade. Ótimo. Parabéns pelo espaço.
    Bjs

    • Tatiane de Mello 12 de junho de 2012 às 2:25 am #

      Obrigada Samuel. Essa Lei realmente é muito importante para o mercado e é mais importante ainda ter alguém como Fernando Meirelles se posicionando tanto quanto a essa questão como a outras tão importantes também.

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