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Tabela de valores minímos para roteiristas

13 out

Saiu a tabela da Associação de Roteiristas, AR, atualizada com valores para 2012.

Consta na tabela, visando a abertura do mercado, a categoria para desenvolvimento de Bíblias de séries e criação de universos transmidíaticos.

O roteirista e ex secretário do Audiovisual, Newton Cannito é o presidente da AR.

Tabela de AR – valores 2012

Atualização de valores 2012

Valores mínimos sugeridos pela Associação de Roteiristas.

A) SERVIÇOS PARA TV

SERVIÇOS PARA TELEVISÃO
15′ 30′ 60′
Argumento/Sinopse 2.000,00 3.500,00 5.550,00
Roteiro Dramaturgia 3.460,00 5.550,00 10.400,00
Roteiro de Documentário com Pesquisa 3.000,00 4.200,00 6.900,00
Roteiro de Documentário sem Pesquisa 2.000,00 2.700,00 4.800,00
Roteiro de Programa de Variedades 2.770,00 3.500,00 5.550,00
Roteiro de Institucional ou Treinamento sem Dramaturgia 1.700,00 2.770,00 4.200,00
Roteiro de Institucional ou Treinamento com Dramaturgia 2.000,00 4.170,00 6.930,00
Roteiro de Programa Educativo com Dramaturgia 2.770,00 4.170,00 6.930,00
Roteiro de Programa Educativo sem Dramaturgia 2.080,00 2.770,00 4.850,00
Sinopse para telenovela, minissérie e seriado 15.000,00
Roteiro de Programa Corporativo (mínimo de 4 pgms por mês) 1.040,00 por programa

 

PISO SALARIAL MÍNIMO RECOMENDADO para roteiristas em televisão (mensal) por tipo de programa semanal ou diário:

PROGRAMA DIÁRIO SEMANAL
Roteirista Teledramaturgia 7.000,00 5.000,00
Roteirista Programa sem Dramaturgia / variedades 5.500,00 3.500,00

B) SERVIÇOS PARA CINEMA

SERVIÇOS PARA CINEMA CURTA MÉDIA LONGA
Argumento/sinopse 7.000,00
Roteiro Ficção Original* 8.320,00 16.650,00 30.000,00
Tratamento de Roteiro (a partir do terceiro tratamento) 6.930,00
Roteiro Adaptado 5.550,00 15.000,00 30.000,00
Roteiro Documentário* 8.320,00 16.650,00 30.000,00
Scrip Doctoring 7.000,00
Parecer 4.170,00

* OU 5% DO ORÇAMENTO FINAL DO FILME

• A SER NEGOCIADO EM CONTRATO:

  • PARTICIPAÇÃO EM BILHETERIA (2%)
  • DEFINIÇÃO DE NÚMERO DE TRATAMENTOS DE ROTEIROS (ATÉ 3)
  • ESCALONAMENTO DE PRAZOS DE ENTREGA DE MATERIAL (SINOPSE, ESCALETA, PRIMEIRA VERSÃO DE ROTEIRO) E PAGAMENTOS

C) SERVIÇOS PARA OUTRAS MÍDIAS

SERVIÇOS PARA OUTRAS MÍDIAS (celulares, internet, etc) Por Obra
*Roteiro de Dramaturgia p Internet 1.390,00
Roteiro de Programa de Variedades Internet 900,00
Comerciais p Internet (30”) 900,00

*+ 10% DOS VALORES DE PATROCÍNIO E/OU + 12% DE VALOR DE MERCHANDISING.

D) OUTROS :

OUTROS Por Obra
Criação de Bíblias de Séries (argumento da série e da 1ª temporada com 13 episódios) 30.000,00
Criação de universos transmidiáticos (planejamento transmidia para produtos/programas televisivos / se estiver fora da negociação do contrato) 15.000,00

AR.

Brasil congelado

19 jul

Acordei cedo hoje e como de costume, fiquei de olho no twitter (@Tatidemello),  Todo mundo queria se congelar para esperar até as 9 da noite, quando começaria o capítulo 100 de Avenida Brasil. Quando digo todo mundo, me refiro a alta social media, gente que influencia dezenas de milhares de seguidores que também congelaram-se. Todos esperando o capítulo 100 de uma novela.

E assim seguiu o dia todo. Não se twittava sobre outra coisa. Ou se se twittava, não importava. Minha timeline inteira estava congelada. Todos os grandes portais de internet tinham um tutorial sobre como se congelar no photoshop.

Não me congelei, só porque não tenho a versão do photoshop para o Mac e só por isso, mas parei as máquinas porque não conseguia sair do twitter, desprogramei um post que entraria hoje e parei um novo que escrevia em função desse. Em função de Avenida Brasil.

O perfil da loja Ponto Frio ficou congelado.

E tanta movimentação em função de quê? De uma novela, fellas, uma novela de puro entretenimento e que pasmem, tem cenário, personagens, trilha sonora e diálogo  para agradar a nova classe C.

Me coloquei no lugar de João Emanuel Carneiro e me emocionou imaginar como seria movimentar um país com a minha obra.

Acredito que poucas vezes a dramaturgia brasileira viveu um momento como hoje. Alcides Nogueira, que escreveu com Lauro César Muniz O Salvador da Pátria, disse que na época tinha pixado nos muros Sassá Mutema para presidente. Um personagem. Outra marcante, o último capítulo de A Próxima Vítima, em que todo mundo queria saber quem era o serial killer do Opala preto.

Novelas param o Brasil.

E ainda assim querer escrever entretenimento, puro entretenimento, é visto com maus olhos, com uma arte menor. Ser popular e escrever para a massa? Imagina, somos bons e pedantes demais para isso.

Bom, só posso dizer uma coisa aos fellas roteiristas que ainda pensam assim:

OI OI OI

Parabéns ao incrível João Emanuel Carneiro que construiu uma trama tão foda, personagens tão complexos e que no capítulo 100 parou o Brasil com uma novela de tanta qualidade.

Ah, quem congelou o João Emanuel para mim foi o querido Rafael Gabden, @_urgh, do Frases do Rafael Gabden e Cartas para Pi. Obrigada! E não peçam para que ele congele vocês, ele tem mais o que fazer. E também obrigada para a Julia Bobrow, @Juliabobrow, que estava com o avatar mais incrível da minha timeline junto com o Daniel Guth , @Danielguth .

P.S.: Escrevi esse post pela tarde porque estaria em uma leitura dramática no horario da novela. Depois da leitura, aconteceu um debate e Marcelo Lazzarotto disse a seguinte frase : A arte não pode ser setorizada. Acho que cabe a Avenida Brasil

Roteiristas para Turma da Mônica

18 jul

Todo ano a Maurício de Sousa Produções  seleciona novos roteiristas para escreverem os maravilhosos gibis da Turma da Mônica.

E nesse ano, não será diferente. Estão abertas as inscrições para roteiristas, desenhistas e arte finalistas.

Como teste para roteiro, obviamente, o candidato terá que enviar um roteiro para HQ. No formato de HQ. Com desenhos. Sim, podem tirar seus lápis do armário e mão na massa!

No site não especifica a quantidade de páginas e nem o período para inscrição. Minha sugestão? Corram!

Todas as informações estão disponíveis no site. Boa sorte!

E aí, vai uma pipoca?

15 jul

Entretenimento.

Do dicionário:  recreação, passatempo, divertimento.

Do cinema nacional: as maiores bilheterias dos últimos anos.

Okay, Tropa de Elite 2 tem sim um crítica social importante, um tema pertinente, mas me desculpem, os mais de 10 milhões de pessoas que foram ao cinema para assisti-lo, queriam mesmo era ver as altas confusões que o Capitão Nascimento iria aprontar em clima de curtição a bordo do caveirão. E sabem de uma coisa? Tudo bem! Na verdade, tudo ótimo. Tropa de Elite deu ao Brasil um herói nacional. Lembro quando foi lançado o primeiro, as crianças do meu bairro brincavam na rua de Capitão Nascimento, e isso era incrível. Um personagem que entre no imaginário popular desse modo? Um personagem de cinema? Isso é sensacional. Bom, o Tropa foi uma gloriosa exceção a regra. Toquei nesse assunto porque essa é a maior bilheteria da história do cinema nacional, mas não quero falar exatamente dele.

Estou falando de :

2011 – De pernas para o ar – Mais de 3 milhões e 500 mil espectadores ; Cilada.com – Quase 3 milhões e Bruna Surfistinha – mais de 2 milhões.

Como 2012 está ainda na metade, falarei de apenas 2, E aí, comeu ? – Alcançou no fim de semana passado mais de 1 milhão de espectadores e As aventuras de Agamenon, chegou muito próximo de 1 milhão também.

Queridos fellas, peço as mais sinceras desculpas, mas terei que falar coisas um pouco óbvias nas próximas linhas.

O que esses filmes tem em comum?

– Artistas globais? Check.

– Propaganda massiva nas Organizações Globo? Check.

– Boa distribuição nas salas de cinemas comercias, entendam Cinemark e outras redes? Check.

– Qualidade na narrativa, personagens interessantes, ótimos diálogos, boa história, imagens?

– Globo Filmes? Check.

– São filmes leves, para dar risada, ~descontrair com a galera~ enquanto delicia-se com uma pipoca de mais de 20 reais, cheia de manteiga? Check. ( Desconsiderem Bruna Surfistinha no quesito dar risada. Ou não.)

É entretenimento.

Podemos torcer nossos narizes o quanto quisermos, mas é exatamente isso.

No Oscar de 2012 um dos indicados a Melhor Roteiro Original foi a comédia romântica Operação Madrinha de Casamento. Costumo ser bem crítica e ter 2 pés atrás com os indicados da Academia, mas nesse ano essa categoria foi justa. Bem justa.

Ah, mas eles são os americanos, eles sabem tudo.

Nós também sabemos.

Vou citar dois de cabeça, Divã, o filme que era peça de teatro e que antes era livro. Ou seja, tinha tudo para dar errado como adaptação para o cinema. Deu muito certo e é ótimo. O outro? Se eu fosse você, filme engraçadíssimo, bem contado, bem executado, sucesso de público. Lidem com isso.

Sei que esses dois tem todos os checks daquela lista óbvia que escrevi.

Mas não são só esses os nossos filmes de entretenimento bem sucedidos. Desses, falarei durante a semana. E eles não tem quase nenhum dos elementos da lista das obviedades acima.

Escrevi um texto há algumas semanas falando sobre a nova classe C e como as emissoras de TV estão se virando para agradar os quase 60% da população brasileira. Parece que algumas pessoas do cinema estão se adiantando também.  Mais uma vez, lidemos com isso. ***

E aí, vai uma pipoca, fellas roteiristas?

 

*** Me expressei mal nesse parágrafo e não quis corrigi-lo, então farei um adendo. Não digo que o cinema tenha que agradar ao mesmo público da TV, mas sim agradar ao público que consome filmes nacionais de acordo com os números. E não me venham dizer que bilheteria não importa, por favor, todos nessa indústria, ou pelo deveríamos ver assim, como negócio, nada pessoal, precisam comer, pagar contar e continuar trabalhando.

A Marginalização “às avessas” e nossa conivência

26 jun

Quando, ainda adolescentes, nos bancos das escolas, aprendemos sobre o “Parlamentarismo às Avessas”, ocorrido em dado momento da história de nosso país, costumamos rir, e atribuir a culpa desta “adaptação” política risível, a alguma eventual “herança genética”, de nossos, muitas vezes desprestigiados, “descobridores”.

Ora, eu diria, que hoje, vivemos um momento de “marginalização às avessas” e cuja culpa (feliz ou infelizmente) não podemos atribuir a outrem, que não a nossa própria conivência.  Gostaria aqui, de abordar dois lados, desta deplorável situação, porém, antes disso, quero esclarecer: Sou alguém normal que tem TV, rádios, geladeira… enfim, todo o necessário para ser enquadrada pelas pesquisas de mercado como “classe C” – rótulo que até pouco tempo atrás em nada me incomodava! Porém, na medida em que se ouve, cada vez com mais frequência, o infeliz: “popularizar por conta da nova classe C”, começo a sentir arrepios, e a gritar, desesperadamente – “Não me ponham nesse balaio de gatos!!! Me joguem pra baixo, pra cima, de escanteio… mas não me confundam!!!” Por favor, vamos pensar (acreditem, faz bem, tudo que não é usado, corre o risco de atrofiar).  Já perceberam que está em moda “o vazio”, o “brega”, o “nada a acrescentar”?

Estamos sem dúvida caminhando para uma tentativa de se “nivelar por baixo”. Aparentemente as emissoras de televisão, passaram, na luta pela audiência, a ignorar que ainda há, no país, outras classes (incluindo uma C pensante), que estão sendo totalmente marginalizadas.  Acho que não está longe o dia em que se ter em casa, um aparelho de TV seja motivo de vergonha, seja um “assumir que não sou pensante”! Será que deixamos de ter direito a lazer, ou a ter que nos “conformar” com migalhas, cada vez mais raras? (cabe aqui ressaltar, não tenho TV a cabo, portanto, me refiro às abertas).

Também, até onde sou capaz de entender, ascender é crescer, subir! Não poucas vezes, na minha infância ouvi coisas como “o fulano lutou para melhorar de vida”! Podem me dizer então, por que o fulano que venceu, “ascendeu” teria se tornado um completo imbecil? Por acaso enquanto parte da classe D ele tinha um “tradutor” para explicar a ele o que se passava? Ou será que esta proposta atende a outros interesses? Pior!!! E a nossa postura, enquanto autores e seres pensantes? É triste, mas não absurdo se falar em “prostituição intelectual”… Então, talvez seja possível entender – não aceitar, mas entender – o que leva um criador a “parir um rato”, mas, me parece no mínimo digno de reflexão se pensar que estes ratos não vingariam, se enquanto público, nos recusássemos a alimentá-los com nossa audiência!

Gente, eu amo assistir TV, e quero ter direito a assistir coisa boa! Eu amo escrever, e quero ter o direito de escrever algo com conteúdo!!! Se você compartilha dessa opinião, não fique mudo, lembre-se do famoso (e esquecido):

“Na primeira noite eles aproximam-se

e colhem uma flor do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite,

já não se escondem:

pisam as flores,

matam nosso cão,

e não dizemos nada.

Até que um dia

o mais frágil deles

entra sozinho em nossa casa,

rouba-nos a luz e,

conhecendo o nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada”

(Eduardo Alves da Costa – Trecho de “No caminho com Maiakóviski”)

Vamos falar dela e de nós

24 jun

Ela, a novíssima classe média brasileira, a emergente classe C. Nós, roteirista.

Na última quinta feira assisti a um debate com o sociólogo e professor Renato Ortiz a respeito do assunto. Revendo as anotações que fiz, dados que demonstram o porquê dessa ascensão, sim tem muito a ver com a política dos últimos 3 governos. Bom, não é isso que interessa, ao menos não nesse texto. O fato é que a nova classe média é composta por mais de 58% da população. Essa nova parcela vem da ascensão da classe D e E. Okay,  nenhuma grande novidade, mas acho necessário deixar claro caso alguém não saiba, tipo se um marciano ler meu post.

Esse negócio de distribuição das classe não é tão simples quanto os dados que valem nessa estatística. Sigo a escola Pierre Bourdier, acredito que a a classe social a que o indivíduo pertence tem mais a ver com o seu capital cultural. E isso fellas, não depende de renda. Claro, as classes são móveis, não estamos mais no feudalismo, não é verdade? Qualquer um pode galgar um lugar um pouco mais ensolarado na hora que bem entender.

Tá. Muito bom, muito bonito. E o que isso tem a ver? É necessário falar que a TV busca agradar a essa parcela imensa da população, porque, claro, sendo a maioria, a classe C tem o poder? Quando eu me referir a poder, entendam dinheiro, poder de consumo. Tem algum problema nisso? Claro que não! Isso é bussiness, fellas. Por enquanto serei bem específica sobre a TV. Qual é o maior produto da TV brasileira? Pois é, claro que as novelas são o principal alvo para fidelizar esse público. Cheias de Charme e Avenida Brasi, horário nobre com  média de 43 pontos no Ibope, no ar na Rede Globo e anteriormente Vidas em Jogo na Record.

Estou óbvia, eu sei, mas é necessário para que eu chegue onde quero chegar. É a tendência do mercado e essa onda está só começando.

Bem, estou enrolando muito já. Vejo uma onda de roteiristas, principalmente novos, muito empolgados com isso. O que é bom, não é? Estão se preparando para trabalhar, ótimo. Só que percebo que uma coisa não está bem clara. Escrever para a nova classe C, que sim, tem um nível acadêmico e cultural inferior do que a antiga classe média, não significa baixar o nível do escritor. Falo baixar o nível no bom sentido, se é que é possível, bem, vou dar um exemplo para deixar mais claro.

Avenida Brasil passa-se em um lixão. Os ~ricos~ da novela são a classe C emergente, pessoas que pertenciam a classe D ou E que enriqueceram financeiramente, mas mantém suas raízes, gostando de pagode, churrascos na laje, enfim, tudo que a antiga classe média execra. Esse é o cenário de Avenida Brasil. A história? Personagens tridimensionais, trama rápida, uma mistura de série com novela. Mudou o cenário, talvez as palavras do diálogo, a trilha sonora. E só. Inclusive o João Emanuel Carneiro se fosse comparado a algum autor brasileiro, talvez pudesse ser ao Lauro César Muniz, pela complexidade de personagens e narrativa diferenciada. Não a Janete Clair, a lenda, que escrevia personagens maniqueístas.

Me parece muitas vezes que o escrever para a nova classe C é entendido como não precisar ler e assistir a coisas consideradas difíceis. Porque vou assistir Fellini se meu público quer American Pie? Porque eu preciso evoluir culturalmente  se as minhas histórias serão voltadas a um público que não me entenderá?

Usar um cenário popular, ter uma trilha sonora com muito pagode não significa ser simples. Significa adequar o seu produto ao mercado, ao que as pessoa querem ver. Todo mundo quer se ver na TV, não é isso? Agora, ser simples nas tramas? Não se submeter a experiências desafiadoras culturalmente?  Um roteirista?

Teve um capítulo de Avenida Brasil em que o Tufão estava lendo Kafka. Vocês acham que o João Emanuel Carneiro colocou isso em cena porque ele jogou no google, escritor e apareceu Kafka e ele achou que seria legal? Não fellas, ele colocou isso porque provavelmente Kafka seja uma referência que ele usa para escrever Avenida Brasil. Kafka para a nova classe C. Deu para entender agora?

Espero que sim. De verdade, fellas roteiristas.

 

 

 

Encontro de profissionais freelancer em São Paulo

14 jun

Nesse sábado, dia 16 de junho, acontecerá aqui em São Paulo um encontro de profissionais freelancers das mais variadas áreas como artes, comunicação, audiovisual, moda, publicidade e marketing entre outras.

O encontro foi organizado através do grupo FrelasViaFace com o objetivo de encontrar formas de interação profissional entre os membros do grupo e com agências, produtoras, instituições de ensino e outros.

Para os que quiserem participar, profissionais do Brasil inteiro, haverá a transmissão via web do evento.

Links para participação online no grupo do facebook FreelasViaFace.

O encontro acontecerá no sábado, 16 de junho, das 14:30 às 18:30.

Achei a idéia do encontro FrelasViaFace muito válida, posso falar pela minha área, estamos em um momento ótimo, principalmente para pessoas de iniciativa. Mas não adianta apenas esperarmos que as coisas simplesmente aconteçam, temos que ir buscá-las. Com certeza será ótimo para todos essa interação e troca de idéias entre tantos e diferentes profissionais.

5 maneiras de sair de sua zona de conforto e tornar-se um escritor melhor

14 jun

Texto bem legal, em um estilo de autoajuda, traduzido do blog da escritora Kristen Lamb. 

Escrever é um atividade como qualquer outra. Para nos tornarmos melhor, devemos nos forçar cada vez mais. Precisamos constantemente reavaliar com o que nos sentimos confortáveis e …. passar para o próximo passo. Essa é a única maneira de nos tornarmos melhores, mais rápidos e mais concisos. É como eu sempre digo, estamos em um tempo maravilhoso para os escritores, mas ao mesmo tempo, são tempos terríveis para os escritores.

A descoberta é um pesadelo quando estamos competindo com o computador e com o Songpop. Por isso é tão difícil trabalhar em uma plataforma online. Mas, isso também é vital para aprendermos a escrever melhor e mais rápido do que a concorrência. Para conseguir isso, temos que treinar.

– Para crescer, faça mais.

Quando eu estava no colégio, fazia parte da equipe de natação, e nós éramos treinados para sermos rápidos, o técnico nos fazia usar um conjunto de moleton para dar nossas braçadas. O moleton se torna bem pesado quando esta molhado. Parecia que estávamos nadando puxando um barco rebocador vestindo-os. Mas deixe eu lhes dizer uma coisa, quando nadávamos sem os moletons o que acontecia? Éramos mais rápidos que a luz.

Quando eu comecei minha carreira como escritora, eu achava que 1000 palavras por dia era um grande coisa. Quando eu fiz o Candy Haven’s Fast Draft ( 20 páginas por dia), 1000 palavras era uma brincadeira. Se você quer escrever diariamente, imponha isso a você mesmo. Treine. Amadores jogam por diversão, mas os profissionais jogam porque precisam.

– Fique desconfortável

Se você está confortável, você não cresce. Não precisamos crescer quantitativamente. Provavelmente exista um limite seu para o número de palavras diárias. Eu sei que não consigo mais de 4000 por dia. Tenho vários tipos de tendinites. Mas isso não significa que eu não possa me desafiar em outras áreas para ter certeza de que estou fazendo o meu melhor para crescer como escritor.

– Entenda que somos mais capazes do que acreditamos

A maioria de nós subestimamos nossa capacidade de irmos em frente. No último verão, Ingrid me falou sobre Bikram yoga. Já digo que ela é uma louca masoquista.

Sério? Uma hora e meia de yoga em uma sala com temperatura acima dos 40 graus ? Vocês são loucos?

Mas, eu queria tentar coisas novas e fui a uma aula ( e achei que fosse morrer). Bom, Bikram é um programa de 60 sessões de yoga em 60 dias. São 90 horas em uma sala aquecida a mais de 40˚ e em posições que a primeira vista parecem humanamente impossíveis de serem feitas. Eu disse que era loucura, mas queria ver o que eu era capaz de fazer. Seria muita sorte se eu chegasse ao dia 2.

Minha primeira meta era de 5 dias. Se eu conseguisse fazer o programa por 5 dias, já seria uma GRANDE coisa. Os 5 dias se transformaram em 10. Já que eu tinha ido tão longe, decidi tentar por 2 semanas. Bem, então porque não ver se consigo por 20 dias? Completei os 60 dias, e essa era aquela pessoas que não sabia se conseguiria terminar o dia 1. E esse é o pensamento. Eu não sabia do que era capaz até começar, então me desafiei e ganhei uma camiseta grátis.

Surpreendentemente foi motivada por adesivos de carinhas felizes e camisetas grátis.

5 maneiras de deixar a sua zona de conforto

1 – Aumente o número de palavras – Se você ainda não escrever todos os dias, comece. Escrevo 6 dias na semana. Comece com 100 palavras. Quando se sentir confortável, passe para 200 e logo estará escrevendo como os grandes. A maioria de nós não pode começar como um profissional. Temos que treinar para isso.

2 – Comece um blog – Começar um blog trás muitos benefícios, e um dos maiores deles é ajudar a treinar os novos escritores para chegar ao nível profissional. Mate dois coelhos com uma cajadada só. Ter um blog ajuda a divulgar você como autor. Mas só te ajudará a treinar se você tiver deadlines e fizer uma contagem diária de palavras. Com o blog também você aprenderá a escrever de forma clara, rápida e de fácil leitura.

3 – Leia genêros que normalmente você não leria  – Sempre vejo escritores que lêem coisas que só tem a ver com o gênero que escrevem. Saia da sua zona de conforto e leia outras coisas também. Vai te ajudar a criar novos elementos para suas histórias e isso será o seu diferencial.

4 – Entre em concursos e editais – Os concursos e editais nos dão prazos rígidos e ainda permitem que nosso trabalho seja avaliado por outras pessoas.
5 – Escreva um gênero que normalmente você não escreve – Sair do gênero que estamos habituados e tentar um novo nos faz criar novos músculos. Podemos até descobrir que o estilo que escolhemos originalmente não é o nosso melhor. No começo eu queria escrever thrillers. O blog me ajudou a descobrir que eu sou boa mesmo é no humor. Se eu não tivesse começado a escrever coisas pessoais, de não ficção, jamais teria descoberto que posso fazer as pessoas rirem.
Kristen continua o texto comentando sobre seus livros e sobre um site.
Gosto muito do blog dela e sempre leio. Como disse no início, tem muitos post no estilo autoajuda, mas as dicas são muito boas e enfim, devo estar em umas de querer ouvir que tudo ficará bem. Desculpem os mais incrédulos.

Chegou a hora, fellas! E quem diz isso não sou eu.

12 jun

Não é novidade a recente lei em que os canais de TV paga serão obrigados a exibir uma cota de programação produzida aqui no Brasil. Também não é novidade que essa lei já aqueceu o mercado e será importante para todos os profissionais da área.
Nesse domingo Fernando Meirelles deu uma entrevista à Folha de São Paulo falando a respeito. Vou publicar a entrevista que está no site da Folha porque nela, Meirelles deixa bem claro porque é um produtor e diretor diferenciado e porque a O2 é uma das maiores produtoras do Brasil.
Farei comentários em itálico abaixo das respostas e colocarei em negrito trechos importantes de Meirelles.

“Nova lei da TV paga fará indústria ser mais forte”, diz Fernando Meirelles
por Alberto Pereira Jr.

Uma semana após a publicação das últimas instruções normativas da Lei 12.485/2011, que fixa diretrizes para a TV paga no Brasil (veja detalhes acima), produtoras independentes comemoram o novo marco regulatório do setor.
Para elas, o estabelecimento de cotas obrigatórias de conteúdo nacional estimulará os negócios, já que ao menos 50% da faixa reservada a obras brasileiras deverão ser preenchidos por trabalhos de empresas independentes.
A íntegra da reportagem publicada na Folha deste domingo está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
Fernando Meirelles, sócio da O2 Filmes, uma das maiores produtoras independentes do país, se mostra entusiasmado com a nova lei da TV paga.
Leia a entrevista dele à Folha.
Folha – A demanda por conteúdo nacional já aumentou com a nova lei da TV paga?

Fernando Meirelles – No ato e imediatamente [risos]. Tivemos solicitações de praticamente todos os canais a cabo. Mandamos e-mail para todos os colaboradores da casa. De 54 projetos que vieram deles, selecionamos 32 e apresentamos para algumas emissoras na virada do ano.

Uma única produtora apresentando 32 projetos que vieram de fora, ou seja, feito por roteiristas que não são necessariamente contratados da O2. Está bom para vocês?


F – Era necessária a criação da lei para fomentar o mercado?

FM – Certamente. A maioria das emissoras de TV a cabo é filial de matrizes americanas. Para elas, é mais conveniente pegar um produto que é bom e está pronto, dublar ou legendar e exibir sem custo.
F- O que muda com a lei?


FM- As TVs são obrigadas a usar parte do seu faturamento em produção local. Essa lei vai ter o mesmo impacto que a Lei do Audiovisual [criada em 1993] teve no cinema. O Brasil fazia seis filmes por ano, veio a nova regra e, só em 2011, fizemos 105 longas. Foi a década de montagem da indústria. Não tenho dúvida de que, com a nova lei da TV paga, em dez anos vamos ter uma geração de programas muito mais forte.

F – Como os diretores de canais a cabo reagiram?

FM – Conversei com alguns executivos. É claro que teve um momento de reclamação, mas todos estão confiantes e, acho eu, muito mais estimulados a produzir.

Essa resposta se completa com a de pergunta sobre se era necessária a lei. Sabemos que houve um entidade, Sky, que realmente tentou combater a Lei. Em vão.


F – O público quer ver os artistas brasileiros na TV paga?

FM – Sim, mas não só isso. Tem o interesse de ver o próprio país.De ver a sociedade, ao invés de Dubai ou Xangai… As pessoas querem assistir a programas sobre São Paulo, sobre nossas cidades. As maiores audiências da TV a cabo são de programas brasileiros. O que dá mais certo na TV a cabo são os programas feitos aqui. É uma situação boa para todo mundo: incentiva o mercado, cria cultura e a produção e as TVs ganham mais audiência.
F – Qual gênero tem recebido mais encomenda?

FM – 
Tem um pouquinho de tudo. Apresentamos projetos de ficção para o GNT, ligados à Copa do Mundo. É um belo momento para quem tem projeto e para quem acabou de se formar e precisa trabalhar. É um marco na televisão e no audiovisual brasileiros.
Recado dado.

F -A tendência é um crescimento maior de damaturgia?

FM – Com certeza. Mais trabalho e oportunidades para atores e diretores. “Os Contos de Edgar”, que estamos fazendo para o FX, é dramaturgia. São histórias baseadas nos contos de Edgar Allan Poe.

Não disse fellas? E é ele quem falou.
F – Quais outros projetos já estão fechados com a TV paga?

FM – A Discovery estava procurando caras brasileiras para o seu elenco. Então, levamos um projeto de um jornalista meio aventureiro, chamado Fábio Lamanchia. É um cara que tem uma vida diferentona, viajando o Brasil. Temos o “360”, que é uma coincidência com o nome do meu novo longa-metragem, para a NatGeo. Vai ser uma série de programas meio jornalísticos, um “doc reality”, sobre problemas bem pungentes, como crack, educação, manejo sustentável de floresta, soja. Cada um dos temas é tratado de todos os pontos de vistas por meio de personagens.
F – Quais são os meios que a O2 usa para captar recursos para suas produções?


FM – A gente faz cinema, TV, TV a cabo e internet. Onde há uma brecha, temamos captar. Nunca usamos lei Rouanet, por exemplo. É uma lei supercomplicada. Por mexermos com publicidade, fazemos muitos projetos que são bancados com dinheiro não incentivado. O filme “Xingu”, por exemplo, contou com R$ 8 milhões de dinheiro não incentivado da Natura, da Fiat e da Globo. Os projetos que estamos fazendo com os canais Fox, “Os Contos de Edgar” e “360” não tem dinheiro de lei, é da própria Fox. Abrimos uma porta. As pessoas acreditam no negócio e passam a investir.
Umas das coisas que mais ouço de pessoas importantes do meio, é que o grande “problema” do cinema nacional são os roteiros, ou a falta de roteiros bons para serem filmados. Sempre acreditei que o grande problema do cinema nacional, muito antes de ser os roteiros, seja o fato de que ela toda, ou a grande maioria, dependa única e exclusivamente de dinheiro público para existir. Sim, dinheiro de impostos de empresas privadas é dinheiro público. A O2 ter uma postura diferente em relação a captação de seus recursos serve como exemplo de que é possível não viver, criar ou procurar projetos apenas focado em atender editais ou aparar-se unicamente na Lei Rouanet. Mais uma vez, grane parte dos filmes nacionais são frutos de leis de incentivo, pública e de empresas privadas, muitos editais e ainda patrocínio. Todos somos adultos o bastante para entender que estamos falando de negócios e ninguém está aqui para ter prejuízo, portanto é difícil. Mas difícil não é impossível, acho vale uma repensar como a indústria tem se portado. A O2 consegue não viver de lei e edital e estamos falando de grandes produções, consequentemente, falamos de grandes orçamentos. Parabéns ao Fernando Meirelles, produtor e diretor brasileiro de opinião e sem nenhum vestígio de acomodação em velhos sistemas falidos.

Tabela de valores mínimos de serviços para roteiristas

9 jun

Existem muitas dúvidas na hora em que alguém pede um orçamento para um roteirista e quase nenhuma regulamentação referente ao valor de cada serviço.

No site da Associação de Roteiristas, até pouco tempo atrás existia uma tabela com valores. Era uma tabela de 2008, se não me engano, e esta desatualizada, mas acredito que funcione para uma base de cálculo.

A) SERVIÇOS PARA TELEVISÃO

SERVIÇOS PARA TELEVISÃO 15′ 30′ 60′
Argumento/Sinopse

1.500,00

2.500,00

4.000,00

Roteiro Dramaturgia

2.500,00

4.000,00

7.500,00

Roteiro de Documentário com Pesquisa

2.200,00

3.000,00

5.000,00

Roteiro de Documentário sem Pesquisa

1.500,00

2.000,00

3.500,00

Roteiro de Programa de Variedades

2.000,00

2.500,00

4.000,00

Roteiro de Institucional ou Treinamento sem Dramaturgia

1.500,00

2.000,00

3.000,00

Roteiro de Institucional ou Treinamento com Dramaturgia

2.000,00

3.000,00

5.000,00

Roteiro de Programa Educativo com Dramaturgia

2.000,00

3.000,00

5.000,00

Roteiro de Programa Educativo sem Dramaturgia

1.500,00

2.000,00

3.500,00

Roteiro de Programa Corporativo (mínimo de 4 pgms por mês) 750,00 por programa

PISO SALARIAL MÍNIMO RECOMENDADO
para roteiristas em televisão (mensal)

PROGRAMA DIÁRIO SEMANAL
Roteirista Teledramaturgia

5.000,00

3.500,00

Roteirista Programa sem Dramaturgia

3.000,00

2.500,00

B) SERVIÇOS PARA CINEMA

SERVIÇOS PARA CINEMA CURTA-METRAGEM MÉDIA-METRAGEM LONGA-METRAGEM
Argumento/sinopse

5.000,00

Roteiro Ficção Original*

6.000,00

12.000,00

20.000,00

Tratamento de Roteiro

5.000,00

Roteiro Adaptado

4.000,00

10.000,00

15.000,00

Roteiro Documentário*

6.000,00

12.000,00

20.000,00

Scrip Doctoring

5.000,00

Parecer

3.000,00

* OU 5% DO ORÇAMENTO FINAL DO FILME

• A SER NEGOCIADO EM CONTRATO:

PARTICIPAÇÃO EM BILHETERIA (2%)

DEFINIÇÃO DE NÚMERO DE TRATAMENTOS DE ROTEIROS (ATÉ 3)

ESCALONAMENTO DE PRAZOS DE ENTREGA DE MATERIAL (SINOPSE, ESCALETA, PRIMEIRA VERSÃO DE ROTEIRO) E PAGAMENTOS

C) SERVIÇOS PARA OUTRAS MÍDIAS

SERVIÇOS PARA OUTRAS MÍDIAS (celulares, internet, etc) Por Obra
*Roteiro de Dramaturgia p Internet 1.000,00
Roteiro de Programa de Variedades Internet 600,00
Comerciais p Internet (30”) 500,00

*+ 10% DOS VALORES DE PATROCÍNIO 
E/OU + 12% DE VALOR DE MERCHANDISING.