Oficina gratuita de criação de Telenovela em São Paulo

12 jul
 A Oficina da Palavra Casa Mário de Andrade oferece em agosto e setembro oficina gratuita Telenovela – Seu processo de criação. O curso abordará todo o processo de criação, desde  a ideia original, passando por personagens e finalizando nos ganchos de capítulos.

Será ministrada do Bruno Fracchia, colaborador de Fina Estampa, novela de Aguinaldo Silva e acontecerá de 25/8 a 29/9, sábados, das 10 às 14 horas, na Oficina da Palavra Casa Mário de Andrade, em São Paulo.

São 12 vagas e a seleção será feita através de carta de interesse.

As inscrições serão feitas de 16/7 a 21/8. Informações aqui.

Workshop gratuito de roteiro com Jeferson De e Cristiane Arenas em São Paulo

12 jul
 A Oficina Cultural Alfredo Volpi, oferece no mês de agosto workshop gratuito de roteiro com Jeferson De, diretor do premiado Bróder e com Cristiane Arenas, produtora, roteirista e diretora.
Durante  a oficina, será elaborado o roteiro de um curta metragem que será desenvolvido pela Oficina de Direção de Arte.
A oficina é gratuita, são 15 vagas e a seleção será feita através de carta de interesse.
Do dia 6 a 27 de agosto, segundas-feiras, das 19 às 21:30 na Oficina Cultural Alfredo Volpi, em São Paulo.
Inscrições de 16/7 a 1/8. Mais informações aqui.

 

De frente com Vladimir Nabokov

1 jul

Tradução de um entrevista feita por Herbert Gold em 1967 com um dos membros da Santísssima Trindade Russa, Vladimir Nabokov. Entrevista longa, mas incrível, onde Nabokov, sem papas na língua, fala sobre Lolita, livro e filme, sua relação com a Rússia e os Estados Unidos, seus escritores favoritos, os que detesta, críticos, James Joyce e mais um monte de coisas. Agora quietos! Um gênio vai falar.

Vladimir Nabokov, A Arte da Ficção n˚40

Vladimir Nabokov vive com sua esposa Véra em Montreux, Suíça no Montreux Palace Hotel, um resort no lago Geneva, favorito de aristocratas russos do século passado.

O casal vive entre quartos de hotéis e suas casas e apartamentos nos Estados Unidos. Parecem viver em eterno exílio. Em suas suítes, um lugar reservado para receber a visita do filho Dmitri e outro, o chambre debarras, onde guardam coisas pessoais, entre elas edições turcas e japonesas de Lolita, outros livros, equipamento esportivo e uma bandeira americana.

Nabokov acorda cedo e começa a trabalhar. Costuma escrever em cartões, desses pequenos, que podem ser arquivados, e que gradualmente são copiados, ampliados e reorganizados até que se tornem livros. Durante a temporada em Montreux, Vladimir gosta de pegar sol e nadar na piscina que fica em um jardim próximo ao hotel. Sua aparência aos 68 anos é pesada,  lenta e poderosa. Nabokov vai facilmente do bom ao mau humor, preferindo o primeiro. Sua esposa, sua fiel colaboradora não oficial, é extremamente devotada e atenta, seja cuidando das cartas de Vladimir, dos negócios ou até mesmo interrompendo-o quando julga que o marido está falando algo não apropriado. É sem dúvida uma mulher excepcionalmente bonita, com olhos sombrios. O casal gosta de fazer viagens para caçar borboletas. Mas essas viagens são limitadas dado que o casal não gosta de viajar de avião.

A entrevista foi feita a cerca de um número de questões. Quando chegou em Montreux, Nabokov recebeu um envelope com as perguntas que vieram a se transformar nessa entrevista. Algumas perguntas foram colocadas depois da entrevista, que foi publicada no  verão/outono de 1967 na The Paris Review. De acordo com o desejo de Vladimir, as respostas foram publicadas exatamente como ele escreveu. Diz que precisa escrever por conta de sua falta de familiaridade com o inglês britânico, o que acaba virando um constante motivo de chacotas.  Ele fala com um sotaque dramático de Cambridge, ligeiramente matizado pelo sotaque russo. Falar inglês não é nenhum desafio para ele, mas no entanto, é uma ameaça. Não há dúvida dos efeitos trágicos que sofre por conta das conspirações que o obrigaram a deixar a Rússia já na meia idade, o obrigando a escrever em um idioma que não é o seu. Suas desculpas para a compreensão do inglês fazem parte de uma triste piada interna de Nabokov: Ele quer dizer, ele não quer dizer, ele está de luto por sua perda, ele não admite críticas sobre o seu estilo, ele finge ser apenas um pobre estrangeiro solitário, ele é tão americano…, disse em Abril, no Arizona.

No momento Vladimir Nabokov trabalha em um longo romance que explora as ambiguidades e mistério do tempo. Quando fala sobre o novo livro, suas voz e olhar são os mesmos de um jovem e encantado escritor, ansioso para acabar sua obra.

Herbert Gold – Bom dia. Deixe-me te fazer aquelas 40 perguntas.

Vladimir Nabokov- Bom dia. Eu estou pronto.

HG- Seu senso de imoralidade na relação entre Humbert Humbert e Lolita é muito forte. Em Hollywood e em Nova York, são muito frequentes as relações entre homens de meia idade e garotas um pouco mais velhas que Lolita. Eles se casam, o que não é nenhum escandâlo. Pelo menos não a princípio.

VN – Não é o meu senso de imoralidade por Humbert Humbert e Lolita que é forte, é o senso de Humbert. Ele se importa, eu não. Não causei nenhum dano moral, seja na America ou em outro lugar. E também, os caso de homens de meia idade que se envolvem com garotas não começou com Lolita. Humbert procura por garotinhas, não apenas garotas. Ninfetas são meninas-mulheres, não são as gatinhas sexies. Lolita tinha 12 anos, não 18, quando Humbert a conheceu. Você deve lembrar que quando ela tinha 14, ele se referiu a ela como a sua amante envelhecida.

HG – O crítico Pryce-Jones disse que você tem sentimentos como nenhum outro. Isso faz sentido para você? Ou significa que você sabe dos seus sentimentos melhor do que as pessoas normalmente sabem sobre si? Ou você descobriu-se em outros níveis? Ou é porque sua história é única?
VN – Não me lembro do artigo, mas se um crítico fez essa declaração, certamente ele explorou os sentimentos de  milhões de pessoas, em pelo menos três países, antes de chegar a sua conclusão. Se assim for, eu sou uma ave rara. Se, por outro lado, ele apenas limitou-se a interrogar os membros da sua família ou clube, sua declaração não pode ser discutida a sério.
HG – Outr0 crítico escreveu que o seu “mundo é estático. Pode Ficar tenso com a obsessão, mas não quebra como os mundos da realidade cotidiana. ” Você concorda? Sua visão sobre a vida é estática?
VN – “Realidade cotidiana” onde? O próprio termo “realidade cotidiana” é absolutamente estático, uma vez que pressupõe uma situação que está permanentemente observável, essencialmente objetiva e universalmente conhecida. Suspeito que você inventou esse perito em “realidade cotidiana.” Isso não existe.
HG – Ele fez ( nome do crítico, não citado na entrevista). Um terceiro crítico disse que você “diminui” os personagens, eu discordo, “para o ponto onde tornam-se cifras de uma farsa cósmica.”; Humbert, enquanto em quadros, tem uma comovente e insistente qualidade de um artista mimado.
VN –Gostaria de colocar de outro modo: Humbert Humbert é um miserável e cruel mas isso pode-se aplicar somente em sua relação com a menina. Além disso, como posso “diminuir” ao nível de cifras, personagens que eu mesmo inventei? Pode-se “diminuir” um personagem biografado, mas não uma criação.

HG – E.M. Forster fala de seus principais personagens, às vezes assumindo e ditando o curso de seus romances. Isso já foi um problema para você, ou você está no comando completo?

VN – Meu conhecimento sobre as obras do Sr. Forster está limitado a um romance, que não gosto, e de qualquer maneira, não foi ele que inventou essa técnica banal. Meus personagens são escravos.

HG – Clarence Brown de Princeton apontou semelhanças em seu trabalho. Ele se refere a você como “extremamente repetitivo” e que de maneiras completamente diferentes que você está dizendo em essência a mesma coisa. Ele fala do destino de ser a “musa de Nabokov.” Você está consciente de “repetir-se”, ou dito de outra forma, que se esforce para uma unidade consciente de sua prateleira de livros?

VN – Acho que eu já vi o ensaio de Clarence Brown, pode ter algo lá. Escritores parecem versátil, pois imitam muitos outros, passados e presentes. Originalidade artística tem apenas o seu próprio eu para copiar.

HG – Você acha que a crítica literária é intencional? Ou especificamente sobre seus próprios livros? É sempre instrutiva?

VN – O propósito de uma crítica é dizer algo sobre um livro. A crítica pode ser instrutiva no sentido de que ele dá aos leitores, incluindo o autor do livro, algumas informações sobre a inteligência do crítico, ou honestidade, ou ambos.

HG – E a função do editor? Devem oferecer aconselhamento literário?

VN – Por “editor”  suponho que você quer dizer revisor. Entre estes eu conheci criaturas límpidas do tato sem limites e ternura que iriam discutir comigo um ponto e vírgula como se fosse um ponto de honra, que, de fato, um ponto de arte muitas vezes é. Mas eu também encontrei alguns pomposos e brutos que tentavam “fazer sugestões”, que eu combatida com um estrondoso “stet!”

HG – É como um lepidóptero perseguindo suas vítimas? Se assim for, o vosso riso já não assustaria?
VN – Pelo contrário, levaria-os ao estado de segurança que um inseto experimenta quando está em uma folha seca. Apesar de lembrar, por acaso, do ensaio de uma jovem que tentou encontrar símbolos entomológicos em minha ficção. O ensaio teria sido divertido se soubesse alguma coisa sobre Lepidoptera. Infelizmente, ela revelou completa ignorância, e confusão nos termos empregados, provou ser apenas chocante e absurdo.

HG – Como você definiria a sua alienação em relação aos refugiados chamados de “Russos Brancos”?

VN – Bem, historicamente sou um “Russo Branco”, uma vez que todos os russos que deixaram a Rússia como a minha família fez nos primeiros anos da tirania bolchevique por causa da oposição política, são chamados russos brancos em um amplo sentido. Entre os  russos branco há uma separação social e política, assim como era  a nação antes do golpe bolchevique. Não me misturo com os Cem Negros e nem com os bolshevizans, que são Russos Rosa. Por outro lado, tenho amigos entre os intelectuais monarquistas constitucionais, bem como entre os intelectuais socialistas-revolucionários . Meu pai era um liberal à moda antiga, e não me importo em ser rotulado como um liberal à moda antiga também.

HG – Como você define a sua alienação sobre a Rússia de hoje?

VN – Como um profunda desconfiança no falso desbloqueio agora anunciado. Como uma consciência constante de iniquidades irredimível. Com completa indiferença a tudo o que move um homem Sovietski patriótico de hoje. Com a satisfação de ter entendido tão cedo, 1918, o leninismo meshchantsvo.

HG – O que você acha dos poetas como Blok e Mandelshtan, que já escreviam mesmo antes de você deixar a Rússia? 

VN – Eu os li na minha infância, mais de meio século atrás. Desde aquele tempo sou apaixonado por Blok. Suas peças longas são fracas, e o famoso The Twelve é terrível, conscientemente formulada em um falso tom primitivo, com uma rosa de papelão colado sobre Jesus Cristo no final. Quanto ao Mandelshtam, eu também o conhecia de cor, mas ele me deu um prazer menos fervoroso. Hoje, sob o prisma de um destino trágico, sua poesia parece maior do que realmente é. Vejo que os professores de literatura separam esses dois poetas em diferentes escolas. Há apenas uma escola: a de talento.

HG – Eu sei que seu trabalho foi lido e atacado na União Soviética. Como você se sente em relação as edições soviéticas de seu trabalho?

VN – Oh, eles gostam do meu trabalho. Victor Editions me enviou um o convite para a reedição do original em russo de Convite para uma Decapitação, de 1938  e a editora novaiorquina  Phaedra faz a impressão da tradução russa de Lolita. Estou certo de que o governo soviético ficará feliz em admitir um romance que parece conter uma profecia do regime de Hitler, e um romance que condena duramente o sistema americano de motéis.

HG – Alguma vez você já teve contato com cidadãos soviéticos? De que tipo?

VN – Tenho quase nenhum contato com eles, embora uma vez, no início dos anos trinta ou vinte anos, fiz contato, por pura curiosidade, com um agente da Rússia bolchevista que estava se esforçando para obter escritores e artistas emigrados para retornar ao redil . Ele tinha um nome duplo, algo Lebedev, e tinha escrito uma novela intitulada Chocolate, e eu pensei que eu poderíamos trabalhar juntos. Perguntei se seria permitido escrever livremente e eu seria capaz de deixar a Rússia se eu não gostasse de lá. Ele disse que eu estaria tão ocupado gostando lá que não teria tempo para sonhar em ir para o estrangeiro. Disse também que eu seria perfeitamente livre para escolher qualquer um dos muitos temas da Rússia Soviética, tais como fazendas, fábricas, florestas em Fakistan-oh, muitos assuntos fascinantes para qualquer escritor. Eu disse, fazendas? E meu miserável sedutor logo desistiu. Ele teve mais sorte com o compositor Prokofiev.

HG – Você se considera um americano?

VN – Sim, me considero. Sou tão americano quanto em Abril, no Arizona. A flora, a fauna, o ar dos países ocidentais, são meus laços com a Rússia. Claro, devo muito à língua russa mas sou emocionalmente envolvido com a paisagem, digamos,  da literatura americana regional, com as danças indianas e torta de abóbora. Me orgulho muito quando alegremente mostro o meu passaporte americano nas fronteiras europeias. As duras críticas do American me ofendem e angustiam. Na política interna, sou antisegregacionista. Na externa, definitivamente estou do lado do governo. E fico em dúvida, sigo o método simples de escolha nessa linha de conduta que pode ser o mais desagradável para os Reds e os Russells.

HG – Existe uma comunidade da qual você se considera parte?

VN – Não. Posso mentalmente coletar um grande número de indivíduos a quem gosto muito de, mas eles formariam um grupo muito heterogêneo e discordantes se reunidos na vida real, em uma ilha real. Caso contrário, eu diria que estou bastante confortável na companhia de intelectuais norte-americanos que leram meus livros.

HG – Qual é sua opinião sobre o mundo acadêmico como um meio para um escritor criativo? Você poderia falar especificamente do valor ou em detrimento de seu ensino na Universidade de Cornell?

VN – A biblioteca da faculdade é de primeira linha e tem um campus confortável em torno dela,  é um bom ambiente para um escritor. Há, obviamente, o problema da formação dos jovens. Lembro como uma vez, não na Universidade de Cornell, um aluno trouxe uma pequena caixa de música com ele para a sala de leitura. Ele dizia que estava tocando a música clássica baixinho e que assim não haveriam muitos leitores ao redor no verão. Eu estava lá, uma multidão de um homem só.

HG – Como você descreveria seu relacionamento com a comunidade literária contemporânea? Com Edmund Wilson, Mary McCarthy, seus editores de revistas e editoras de livros?

VN – A única vez que colaborei com qualquer escritor foi quando traduzi Mozart, com Edmund Wilson, Pushkin e Salieri para o The New Republic, há vinte e cinco anos atrás, uma lembrança bastante paradoxal em vista do ano passado, quando tiveram a audácia de questionar minha compreensão de Eugene Onegin. Mary McCarthy, por outro lado, tem sido muito gentil comigo. Recentemente na New Republic mesmo, embora eu acho que ela acrescentou um pouco de sua própria aura angelical ao fogo pálido do pudim de ameixa Kinbote. Eu prefiro não mencionar aqui o meu relacionamento com Girodias, mas respondi no artigo escorbuto Evergreen na antologia Olympia. Caso contrário, eu estou em excelentes relações com todos os meus editores. Minha amizade calorosa com Katharine White e Bill Maxwell da The New Yorker é algo que o autor mais arrogante não pode evocar sem gratidão e alegria.

HG – Poderia dizer algo sobre seus hábitos de trabalho? Você faz um gráfico de pré-planejado? Você salta de uma seção para outra, ou prefere escrever do início até o fim?

VN – O padrão precede a escrita. Eu preencher as lacunas de palavras cruzadas em qualquer ponto que eu escolher. Os beats, escrevo em cartões de índice até que o romance é feito. Meu horário é flexível, mas sou bastante exigente com meus instrumentos: cartões alinhados do Bristol e lápis bem afiados e não muito duros com tampas de borrachas.

HG – Existe uma imagem particular do mundo que você deseja desenvolver? O passado é muito presente para você, mesmo em um romance futurista, como Bend Sinister. Você é um saudosista? Em que momento você preferiria viver?

VN – No futuro, com aviões silenciosos e graciosos, sem nuvens e céus prateados, e com um sistema universal de estradas subterrâneas acolchoadas estradas para que os caminhões transitem por lá. Quanto ao passado, não me importaria em recuperar vários cantos do tempo-espaço para resgatar certos confortos perdidos, tais como calças largas e compridas e banheiras profundas.

HG – Você sabe que não tem que responder todas as minhas perguntas semelhantes a Kinbote.

VN – Ele nunca pularia as difíceis. Vamos continuar.

HG – Além de escrever romances, o que você gosta de fazer?

VN – Oh, caçar borboletas, é claro, e estudá-las. Os prazeres e benefícios da inspiração literária não são nada ao lado do arrebatamento da descoberta de um novo órgão sob o microscópio, ou uma espécie não descrita em uma montanha no Irã ou no Peru. Não é improvável que se não tivesse havido uma revolução na Rússia, teria me dedicado inteiramente a lepidopterologia e nunca escrito um livro.

HG – O que é mais característico do poshlust na escrita contemporânea? Você já caiu em alguma tentação do poshlust?

VN – “Poshlust”, ou poshlost, tem muitas nuances e, evidentemente, não as descrevi com clareza suficiente em meu pequeno livro sobre Gogol, se você acha que se pode perguntar a alguém se pode ser tentado por poshlost. Clichês vulgares, filistinismo em todas as suas fases, imitações de imitações, falsas profundidades, em suma, imbecil e desonesta pseudo-literatura-são exemplos óbvios. Se queremos fixar poshlost por escrita contemporânea, devemos procurá-la no simbolismo freudiano, comido pelas traças, comentário social, mensagens humanistas, alegorias políticas, preocupação exagerada com classe ou raça, e as generalidades jornalísticas, mas isso todos nós sabemos. Poshlost fala em conceitos tais como “A América não é melhor que a Rússia” ou “Nós todos compartilhamos a culpa da Alemanha.” As flores de flor poshlost em frases e termos como “o momento da verdade,” carisma existencial, usado a sério, diálogo, quando aplicado a conversações políticas entre nações, e vocabulário, aplicado a um dauber. Auschwitz, Hiroshima, Vietnã é poshlost sediciosa. Pertencer a um clube muito seleto que ostenta um nome que judaico, é poshlost gentil. Opiniões roubadas são, frequentemente, poshlost, mas também se esconde em ensaios eruditos. Poshlost chama Sr. Blank de grande poeta e o Sr. Bluff de grande romancista. Um dos lugares favoritos de reprodução poshlost sempre foi a Exposição de Arte, lá é produzido pelos chamados escultores que trabalham com as ferramentas de sabotadores, a construção de coisas cretinas de aço inoxidável, aparelhos de som zen, stinkbirds poliestireno, objetos em latrinas, balas, enlatados e bolas. Há que admirar os padrões gabinetti dos chamados artistas abstratos, surrealismo freudiana, manchas roric e borrões de Rorschach como brega por direito próprio, como os acadêmicos “Morns Setember” e “Garotas das florentinas” de meio século atrás . A lista é longa, e, claro, todo mundo tem a sua bête noire, seu favorito na série.

HG – Há autores contemporâneos que você sente prazer em ler?

VN – Há vários escritores, mas não vou nomeá-los. Prazer anônimo não fere a ninguém.

HG – E há os que você lê com grande dor?

VN – Não. Muitos autores simplesmente não existem para mim. Seus nomes estão gravados em túmulos vazios, seus livros são bobos, eles são nulidades completas para mim. Brecht, Faulkner, Camus, muitos outros, não significam absolutamente nada para mim, e e tenho que lutar com uma suspeita de conspiração contra o meu cérebro quando os vejo como “grande literatura” dito por críticos e companheiro autores de Lady Chatterley ou o nonsense e pretensioso do Sr. Pound. Noto que ele substitui Dr. Schweitzer, em alguns casos.

HG – Como admirador de Borges e Joyce, que parecem compartilhar o seu prazer em provocar o leitor com truques, trocadilhos e enigmas, como você acha que dever ser o relacionamento entre leitor e autor?

VN – Não me recordo dos trocadilhos em Borges, mas li apenas a tradução. De qualquer forma, seus delicados e pequenos contos em miniatura não têm nada em comum com as grandes máquinas de Joyce. Nem eu formei os muitos quebra-cabeças de seu mais lúcido romance, Ulysses. Por outro lado, detesto Finningans Wakes em que um crescimento canceroso da fantasia quase redime a terrível jovialidade do folclore e do fácil, muito fácil.

HG – O que você aprendeu com Joyce?

VN – Nada.

HG – Mesmo?

VN – James Joyce não me influenciou de forma alguma. Meu primeiro contato breve com Ulysses foi por volta de 1920 na Universidade de Cambridge, quando um amigo, Peter Mrozovski, que trouxe uma cópia de Paris e teve a chance de ler para mim, uma ou duas passagens picantes do Monólogo de Molly, que, Entre Nous soit dit, é o mais fraco capítulo do livro. Apenas quinze anos depois, quando já estava bem formado como escritor e relutante em aprender ou desaprender qualquer coisa, li Ulysses e gostei imensamente. Sou indiferente a Finnegans Wake como sou a toda literatura regional escrita em dialeto, mesmo que seja o dialeto de um gênio.

HG – Você não está fazendo um livro sobre James Joyce?

VN – Mas não é só sobre ele. O que pretendo fazer é publicar uma série de 20 páginas-ensaios sobre várias obras-Ulysses, Madame Bovary, A Metamorfose de Kafka, Don Quixote, e outros, tudo com base nas minhas palestras em  Cornell e Harvard. Lembro com prazer  de rasgar Don Quixote, um livro cruel e bruto, diante de seiscentos alunos no Memorial Hall, para horror e constrangimento de alguns dos meus colegas mais conservadores.

HG – E sobre outras influências? Pushkin?

VN – Digamos que Tolstoi e Turgueniev foram influenciados pelo orgulho e pureza da artística de Puchkin.

HG – Gogol?

VN – Tive o cuidado de não aprender nada com ele. Como professor, ele é dúbio e perigoso. No seu pior, como em seu material ucraniano, ele é um escritor sem valor; no seu melhor, ele é incomparável e inimitável.

HG – Alguém mais?

VN – H.G. Wells, um grande artista, era meu escritor favorito quando eu era um menino.  The Passionate Friends, Ann Veronica, The Time Machine,  The Country of the Blind,  todas essas histórias, são muito melhores do que qualquer coisa de Bennett ou Conrad ou, na verdade, do que qualquer um dos contemporâneos de Wells. Suas cogitações sociológicas podem ser ignoradas, é claro, mas seus romances são soberbos. Houve um momento terrível no jantar em nossa casa de São Petersburgo, quando Zinaida Vengerov, seu tradutor,  disse a Wells: “. Você sabe, meu trabalho é favorito seu é The Lost World”. “Significa a guerra os marcianos perdido “, disse meu pai rapidamente.

HG – Você aprende com seus alunos da Universidade de Cornell? Ou foi uma experiência puramente financeira? Será que o ensino lhe ensinou alguma coisa valiosa?

VN – Meu método de ensinar impede qualquer com contato genuíno com meus alunos. Na melhor das hipóteses, eles regurgitam alguns pedaços de meu cérebro durante os exames. Cada palestra que proferi tinha sido cuidadosamente, amorosamente manuscritas ou digitadas, e eu calmamente as lia em sala de aula, às vezes parando para reescrever uma frase e, às vezes repetindo um parágrafo, raramente provocou qualquer mudança no ritmo. Tentei substituir, em vão, minhas aparições na tribuna pelos registros gravados para serem tocadas na rádio universitária. Por outro lado, gostei profundamente da risada de apreciação neste ou naquele ponto quente da sala ou das minhas palestras. Minha melhor recompensa vem daqueles ex-alunos que, dez ou quinze anos mais tarde, escrevem para me dizer que agora entendem o que eu queria deles quando os ensinei a visualizar o penteado mal traduzido de Emma Bovary ou a disposição dos quartos da família Samsa ou os dois homossexuais em Anna Karenina. Não sei se aprendi alguma coisa, mas acumulei uma quantidade inestimável de informação quando analisava uma dúzia de romances para meus alunos. Meu salário como você já sabe não era exatamente principesco.

HG – Há algo que você gostaria de dizer sobre a colaboração de sua esposa lhe deu?

VN – Ela presidiu como conselheira e juiza  minha primeira ficção no início dos anos vinte. Li para ela todos os meus contos e romances, pelo menos, duas vezes, e ela  os rele quando os digita e corrige provas e verifica traduções em várias línguas. Um dia, em 1950, em Ithaca, Nova York, ela foi responsável por  me fazer parar e pensar  acima das dificuldades técnicas e dúvidas dos primeiros capítulos de Lolita, que eu levava para o incinerar no jardim.

HG – Qual é a sua relação com as traduções de seus livros?

VN – Eu e minha esposa sabemos inglês, russo, francês, e em um pouco de alemão e italiano. Há uma verificação rigorosa em cada frase. No caso de versões em japonês ou turco, eu tento não imaginar os desastres.

HG – Quais são seus planos para o futuro trabalho?

VN – Estou escrevendo um novo romance, mas não posso falar sobre isso. Outro projeto que venho alimentando há algum tempo é a publicação do roteiro completo de Lolita que fiz para Kubrick. Embora haja apenas o suficiente para justificar minha posição legal como autor do roteiro, o filme é apenas um vislumbre turvo da imagem maravilhosa que eu imaginava  estabelecer cena por cena durante os seis meses que eu trabalhei em Los Angeles. Não quero dizer que o filme de Kubrick é medíocre; por direito próprio, é de primeira linha, mas não é o que eu escrevi. Um toque de poshlost muitas vezes é dado pelo cinema ao romance, que distorce e vulgariza em seu vidro curvo. Kubrick, penso eu, evitar essa falha em sua versão, mas eu nunca vou entender porque ele não seguiu minhas instruções e sonhos. É uma grande pena, mas pelo menos as pessoas leram o meu jogo em Lolita em sua forma original.

HG – Se você pudesse escolher apenas um livro pelo qual seria lembrado, qual seria?

VN – O que estou escrevendo ou melhor, sonhando com a escrita. Na verdade, vou ser lembrado por Lolita e meu trabalho em Eugene Onegin.

HG – Você sente que tem alguma falha visível ou secreta como um escritor?

VN – A ausência de um vocabulário natural. Uma coisa estranha de se confessar, mas é verdade. Dos dois instrumentos em minha posse, um minha língua nativa, não posso mais usar, e isso não só porque me falta um público russo, mas também porque a emoção da aventura verbal, o russo coloquial desapareceu gradualmente depois que escrevi em inglês. Meu inglês, este segundo instrumento sempre tive, é no entanto uma coisa artificial, que pode ficar bem para descrever um pôr do sol ou um inseto, mas que não pode esconder a pobreza da sintaxe e escassez de dicção doméstica quando  preciso de um  caminho mais curto entre o armazém e loja. Um velho Rolls-Royce não é sempre preferível a um simples jipe.

HG – O que você acha sobre o ranking competitivo de escritores contemporâneos?

VN – Sim, tenho notado que  nossos revisões são verdadeiras apostas. Quem está dentro, quem está fora, e onde estão as neves de antanho. Tudo muito divertido. Estou um pouco triste por ficar de fora. Ninguém pode decidir se sou um escritor de meia-idade americano ou um escritor ou velho russo uma aberração sem idade internacional.

HG – Qual é o grande pesar na sua carreira?

VN – Não ter vindo  mais cedo para a América. Gostaria de ter vivido em Nova York na década de trinta. Meus romances russos foram traduzidos então, eles poderiam ter fornecido um choque e uma lição para os entusiastas pró-soviéticos.

HG – Existe alguma desvantagem nessa sua fama atual?

VN – Lolita é famoso, eu  não. Sou obscuro, duplamente um escritor obscuro, com um nome impronunciável.

A original da entrevista aqui.

Curso gratuito O que é ser um dramaturgo e seu papel na encenação do texto

29 jun

Sempre vou divulgar os cursos de extensão cultural da SP Escola de Teatro por serem cursos ministrados por profissionais conceituados e com conteúdo diferente de qualquer outro lugar. São cursos gratuitos, o que ajuda a todo mundo.

Em agosto, será ministrado pelo dramaturgo, tradutor e professor titular da Universidade de Trier na Alemanha, Henry Thorau, o curso O que é ser um dramaturgo e seu papel na encenação do texto.

Sim, é voltado ao teatro, ao dramaturgo. Acho totalmente válido a qualquer autor, roteirista ou a nomenclatura que decidam dar, porque todos temos basicamente a mesma função. Salvo as diferenças de meio, linguagem e outras, temos a mesma base, o mesmo ofício. Sem contar no nível cultural mesmo. Bom, falei nisso já essa semana e realmente é a opção de cada um.

O curso terá como base o teatro alemão e o papel do dramaturgo nessa escola, em todas as correntes e períodos.

As aulas serão de 02 à 23 de agosto, de segunda à sexta, das 14 as 17 horas, na sede da Roosevelt da Escola.

Inscrições no site.

A Marginalização “às avessas” e nossa conivência

26 jun

Quando, ainda adolescentes, nos bancos das escolas, aprendemos sobre o “Parlamentarismo às Avessas”, ocorrido em dado momento da história de nosso país, costumamos rir, e atribuir a culpa desta “adaptação” política risível, a alguma eventual “herança genética”, de nossos, muitas vezes desprestigiados, “descobridores”.

Ora, eu diria, que hoje, vivemos um momento de “marginalização às avessas” e cuja culpa (feliz ou infelizmente) não podemos atribuir a outrem, que não a nossa própria conivência.  Gostaria aqui, de abordar dois lados, desta deplorável situação, porém, antes disso, quero esclarecer: Sou alguém normal que tem TV, rádios, geladeira… enfim, todo o necessário para ser enquadrada pelas pesquisas de mercado como “classe C” – rótulo que até pouco tempo atrás em nada me incomodava! Porém, na medida em que se ouve, cada vez com mais frequência, o infeliz: “popularizar por conta da nova classe C”, começo a sentir arrepios, e a gritar, desesperadamente – “Não me ponham nesse balaio de gatos!!! Me joguem pra baixo, pra cima, de escanteio… mas não me confundam!!!” Por favor, vamos pensar (acreditem, faz bem, tudo que não é usado, corre o risco de atrofiar).  Já perceberam que está em moda “o vazio”, o “brega”, o “nada a acrescentar”?

Estamos sem dúvida caminhando para uma tentativa de se “nivelar por baixo”. Aparentemente as emissoras de televisão, passaram, na luta pela audiência, a ignorar que ainda há, no país, outras classes (incluindo uma C pensante), que estão sendo totalmente marginalizadas.  Acho que não está longe o dia em que se ter em casa, um aparelho de TV seja motivo de vergonha, seja um “assumir que não sou pensante”! Será que deixamos de ter direito a lazer, ou a ter que nos “conformar” com migalhas, cada vez mais raras? (cabe aqui ressaltar, não tenho TV a cabo, portanto, me refiro às abertas).

Também, até onde sou capaz de entender, ascender é crescer, subir! Não poucas vezes, na minha infância ouvi coisas como “o fulano lutou para melhorar de vida”! Podem me dizer então, por que o fulano que venceu, “ascendeu” teria se tornado um completo imbecil? Por acaso enquanto parte da classe D ele tinha um “tradutor” para explicar a ele o que se passava? Ou será que esta proposta atende a outros interesses? Pior!!! E a nossa postura, enquanto autores e seres pensantes? É triste, mas não absurdo se falar em “prostituição intelectual”… Então, talvez seja possível entender – não aceitar, mas entender – o que leva um criador a “parir um rato”, mas, me parece no mínimo digno de reflexão se pensar que estes ratos não vingariam, se enquanto público, nos recusássemos a alimentá-los com nossa audiência!

Gente, eu amo assistir TV, e quero ter direito a assistir coisa boa! Eu amo escrever, e quero ter o direito de escrever algo com conteúdo!!! Se você compartilha dessa opinião, não fique mudo, lembre-se do famoso (e esquecido):

“Na primeira noite eles aproximam-se

e colhem uma flor do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite,

já não se escondem:

pisam as flores,

matam nosso cão,

e não dizemos nada.

Até que um dia

o mais frágil deles

entra sozinho em nossa casa,

rouba-nos a luz e,

conhecendo o nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada”

(Eduardo Alves da Costa – Trecho de “No caminho com Maiakóviski”)

Vamos falar dela e de nós

24 jun

Ela, a novíssima classe média brasileira, a emergente classe C. Nós, roteirista.

Na última quinta feira assisti a um debate com o sociólogo e professor Renato Ortiz a respeito do assunto. Revendo as anotações que fiz, dados que demonstram o porquê dessa ascensão, sim tem muito a ver com a política dos últimos 3 governos. Bom, não é isso que interessa, ao menos não nesse texto. O fato é que a nova classe média é composta por mais de 58% da população. Essa nova parcela vem da ascensão da classe D e E. Okay,  nenhuma grande novidade, mas acho necessário deixar claro caso alguém não saiba, tipo se um marciano ler meu post.

Esse negócio de distribuição das classe não é tão simples quanto os dados que valem nessa estatística. Sigo a escola Pierre Bourdier, acredito que a a classe social a que o indivíduo pertence tem mais a ver com o seu capital cultural. E isso fellas, não depende de renda. Claro, as classes são móveis, não estamos mais no feudalismo, não é verdade? Qualquer um pode galgar um lugar um pouco mais ensolarado na hora que bem entender.

Tá. Muito bom, muito bonito. E o que isso tem a ver? É necessário falar que a TV busca agradar a essa parcela imensa da população, porque, claro, sendo a maioria, a classe C tem o poder? Quando eu me referir a poder, entendam dinheiro, poder de consumo. Tem algum problema nisso? Claro que não! Isso é bussiness, fellas. Por enquanto serei bem específica sobre a TV. Qual é o maior produto da TV brasileira? Pois é, claro que as novelas são o principal alvo para fidelizar esse público. Cheias de Charme e Avenida Brasi, horário nobre com  média de 43 pontos no Ibope, no ar na Rede Globo e anteriormente Vidas em Jogo na Record.

Estou óbvia, eu sei, mas é necessário para que eu chegue onde quero chegar. É a tendência do mercado e essa onda está só começando.

Bem, estou enrolando muito já. Vejo uma onda de roteiristas, principalmente novos, muito empolgados com isso. O que é bom, não é? Estão se preparando para trabalhar, ótimo. Só que percebo que uma coisa não está bem clara. Escrever para a nova classe C, que sim, tem um nível acadêmico e cultural inferior do que a antiga classe média, não significa baixar o nível do escritor. Falo baixar o nível no bom sentido, se é que é possível, bem, vou dar um exemplo para deixar mais claro.

Avenida Brasil passa-se em um lixão. Os ~ricos~ da novela são a classe C emergente, pessoas que pertenciam a classe D ou E que enriqueceram financeiramente, mas mantém suas raízes, gostando de pagode, churrascos na laje, enfim, tudo que a antiga classe média execra. Esse é o cenário de Avenida Brasil. A história? Personagens tridimensionais, trama rápida, uma mistura de série com novela. Mudou o cenário, talvez as palavras do diálogo, a trilha sonora. E só. Inclusive o João Emanuel Carneiro se fosse comparado a algum autor brasileiro, talvez pudesse ser ao Lauro César Muniz, pela complexidade de personagens e narrativa diferenciada. Não a Janete Clair, a lenda, que escrevia personagens maniqueístas.

Me parece muitas vezes que o escrever para a nova classe C é entendido como não precisar ler e assistir a coisas consideradas difíceis. Porque vou assistir Fellini se meu público quer American Pie? Porque eu preciso evoluir culturalmente  se as minhas histórias serão voltadas a um público que não me entenderá?

Usar um cenário popular, ter uma trilha sonora com muito pagode não significa ser simples. Significa adequar o seu produto ao mercado, ao que as pessoa querem ver. Todo mundo quer se ver na TV, não é isso? Agora, ser simples nas tramas? Não se submeter a experiências desafiadoras culturalmente?  Um roteirista?

Teve um capítulo de Avenida Brasil em que o Tufão estava lendo Kafka. Vocês acham que o João Emanuel Carneiro colocou isso em cena porque ele jogou no google, escritor e apareceu Kafka e ele achou que seria legal? Não fellas, ele colocou isso porque provavelmente Kafka seja uma referência que ele usa para escrever Avenida Brasil. Kafka para a nova classe C. Deu para entender agora?

Espero que sim. De verdade, fellas roteiristas.

 

 

 

Não vou ler o seu fucking* roteiro.

21 jun

Venho publicando algumas traduções em uma vibe de autoajuda ultimamente. Essa vibe acabou, voltamos a programação normal. Ainda bem, para onde iria minha reputação? Para uma nuvem de algodão doce com um Ursinho Carinhoso vomitando arco-íris???!!! Jesus fucking Christ!!!

Tradução de um artigo do The Village Voice Blog. Para os fortes.

Não vou ler o seu fucking roteiro

Sabemos que você está trabalhando duro no seu roteiro, mas antes de levá-lo para uma avaliação profissional, você precisa ler esse texto do roteirista de A História da Violência, Josh Olson.

Eu não vou ler o seu fucking roteiro

É simples, não? “Eu não vou ler o seu fucking roteiro.” O que não está claro sobre isso? Não é nada pessoal, nada complicado. Simplesmente não tenho interesse eu ler o seu fucking roteiro. Nenhum.

Se você acha isso injusto, então vamos fazer um trato. Você não me pede para ler o seu fucking roteiro e eu não te peço para lavar o meu fucking carro, ou tirar uma fucking foto minha, ou me representar em um fucking tribunal, ou operar a minha fucking vesícula, ou qualquer outra fucking coisa que você faça para viver.

Você é uma pessoa muito amável. Esse tempo que passamos juntos com certeza foi muito agradável para nós dois. Realmente gostei daquela conversa em que falávamos sobre estrutura e tema, sobre como Sergio Leone é o maior diretor de todos. Sim, temos as mesmas opiniões, e sim, desejo a você toda a sorte do mundo em seus projetos e eu ficaria imensamente feliz em saber que você vendeu seu roteiro e ele se tornou o melhor filme desde O Poderoso Chefão Parte II.

Mas, eu não vou ler o seu fucking roteiro.

Nesse momento você já deve ter ido embora, firme na convicção de que eu sou um filho da puta. Mas se você está interessado em crescer como ser humano e reconhecer que você é que é o filho da puta nessa situação, por favor, continue a ler.

Sim, eu te chamei de filho da puta. Você criou essa situação. Você me colocou na situação de fazer o que você quer ou de ser um filho da puta. E isso, meu amigo, é a definição de um movimento filho da puta.

Fui colocado recentemente nessa situação por um cara.

Duvido que tivessemos trocado mais de cem palavras. Ele estava namorando alguém conhecido e me encurralou na hora certa e no momento certo, e me pediu para ler uma sinopse de duas páginas que estava escrevendo no último ano. Ia inscrever a sinopse em algum concurso ou edital e queria antes uma opinião profissional.

Agora tenho uma resposta padrão para esse tipo de pessoa e situação. E é uma verdade: Tenho duas pilhas de roteiros ao lado da minha cama. Uma de roteiros de bons amigos e a outra de roteiros, sinopses e projetos que tenho que ler para o trabalho. Cada vez que pego o roteiro de um amigo para ler, me sinto culpado por não estar trabalhando. Cada vez que pego um roteiro de trabalho, sinto me culpado por não estar lendo o roteiro de um amigo. Se eu ignorar as duas pilhas e ler o seu, me sentiria uma pessoa horrível.

A maioria das pessoas entende isso. Mas ás vezes você esta em uma situação em que a culpa acaba sendo muito grande, ou é alguém mais ou menos próximo ou praticamente obrigam você a isso. e fica bem difícil escapar sem parecer rude. Então, digo que vou ler. Mas coloco o roteiro em baixo dos outros. Eles sempre vão para lá e ninguém aceita que seu roteiro fique em último lugar para que outra pessoa o leia.

Mas que inferno, são só duas páginas, quanto tempo pode levar para ler duas páginas?

Semanas, é a minha resposta.

E é por isso que eu não vou ler o seu fucking roteiro.

Raramente leva mais do que uma página para reconhecer um texto de alguém que pode escrever e raramente leva mais do que uma linha para perceber que você está lidando com alguém que não pode.

( Aliás, se você não concorda com essa afirmação, você não é um escritor. Porque, veja bem, escritores também são leitores.)

Você pode admitir que a pessoa nunca escreveu uma sinopse antes, mas isso não é desculpa para a incapacidade de formar uma frase decente, ou para a completa falta de facilidade com a linguagem e estrutura. A história do roteiro com certeza era de grande importância para ele, mas ele não foi capaz de transmitir suas qualidades para um leitor imparcial. O que me foi entregue era uma lista pouco coerente de eventos, alguns ligados, outros nem tanto. Personagens vagando sem rumo, fazendo coisas sem razão, desaparecendo, reaparecendo, sendo presos por crimes, sendo selvagens e mudando suas vidas sem nenhum sentido. Metade de um parágrafo é dedicado a descrever o cheiro e a textura de um pedaço de comida. O evento principal do filme é contado em uma frase. A morte do herói não é sequer mencionada. Uma frase descreve uma cena onde ele está. A próxima descreve o seu funeral. Eu poderia continuar, mas não vou. Este é o tipo de coisa que faz com que você tire nota vermelha em qualquer curso primário de redação.

Isso é o que nos faz ter raiva dos roteiristas iniciantes: Eles acham que para ser roteirista você não precisa saber escrever, é só ter uma boa idéia para história que possa virar um filme. O roteiro é considerado o meio mais fácil de entrar no mercado do cinema, porque não requer equipamento e nenhum tipo de faculdade específica. Todo mundo pode escrever, certo? E por eles acreditarem nisso, não consideram que roteiristas trabalham como qualquer outra pessoa, com respeito. Vão lhe entregar  um pedaço de papel com algumas frases montadas nas coxas, sem nenhum segundo pensamento, porque você não tem que ser um escritor para ser um roteirista.

Então, eu li a coisa. E isso doeu, man. Doeu de verdade. Eu estava morrendo para encontrar algo positivo para dizer, mas não havia nada. E na verdade, dizer algo positivo sobre aquilo seria a coisa mais nojenta, baixa e desonesta que eu poderia fazer. Porque aí é que está: não é apenas cruel encorajar a esperança, mas você também não pode desencorajar um escritor. Se alguém pode lhe dizer coisas para você se tornar um escritor, então você não é um escritor. Então eu lhe fiz um favor, porque agora você está livre para seguir sua busca pelo seu real talento. E para que conste, todo mundo tem um. Os sortudos os descorbrirão e os azarados continuarão a escrever roteiros de merda e pedirão para lê-los.

Para piorar a situação, o cara e a namorada me imploraram para que eu fosse honesto. Ele estava frustrado com as respostas que os amigos tinham dado, porque sentia que eles estavam o agradando e ele queria uma crítica real. Os amigos nunca fazem isso, é claro. O que o cara queria era algumas notas difíceis para ter uma ilusão de honestidade, e , em seguida, alguns tapinhas nas costas. O que eles querem, sempre, é o incentivo, mesmo quando não devem receber algum.

Você tem idéia de como é difícil dizer a alguém que já passou um ano escrevendo algo que aquilo não presta para nada? Sabe quanto sangue e suor está ali? Você quer dizer a verdade mas quer fazer tudo certo para que a pessoa entenda que foi honesto sem ser cruel por querer. Fiz mais tratamentos em um fucking email do que nos últimos três projetos que escrevi.

Meu primeiro projeto foi ridículo. Comecei com notas específicas e depois de um tempo, descobri que tinha escrito três páginas sobre os dois primeiro parágrafos. Não foi a abordagem certa. Então joguei fora, e pelo tempo havia trabalhado nele, tinha feito pouco, mas era cuidadoso. O ponto principal é que o cara foi vítima de uma falácia que os amadores pregam. Ele estava muito mais interessado em contar a sua história do que em ser um escritor. É como comprar as peças para montar um carro e começar a montá-lo sem ter a menor noção de mecânica. Você vai aprender muito ao longo do caminho, mas nunca terá um carro que funcione.

( Devo dizer que enquanto estava escrevendo a minha resposta, ele fez o movimento final do amador e me mandou um email dizendo:” Se você não leu ainda meu projeto, não leia! Tenho um novo projeto, leia este!” Em outras palavras, o projeto que lhe enviei e disse que estava pronto para me tornar um profissional não era verdade.)

O aconselhei se caso ele quisesse mesmo contar a história que procura-se um roteirista e que os dois trabalhassem juntos. Ou se ele quisesse mesmo ser um roteirista , que começasse a fazer um curso e estudasse.

Não deveria ter me incomodado. Para todo cabelo que arranquei, todo o peso e seriedade que dei ao pedido de uma crítica real e profissional, a resposta do cara foi: Obrigado por sua opinião. E claro, arquei com as consequências inevitáveis, uma semana depois, um amigo em comum me perguntou porque fui tão filho da puta. Agora o cara e sua namorada acham que eu sou um grande filho da puta, e a verdade é que a história se encerrou no momento em que ele me entregou a sua fucking sinopse. Se eu tivesse dito não, eles também me achariam um filho da puta. A diferença é que  eu não teria desperdiçado o meu tempo me comunicando, pensando e sendo honesto com alguém que só queria um tapinha nas costas. E o mais importante, eu não teria lida aquela merda.

Você não é obrigado a ter a opinião de um profissional, mesmo que você ache que é, e sim, isso é uma pressão enorme. Isso precisa ficar claro. Quando você pergunta a um profissional sobre o seu material, você não está lhe pedindo uma ou duas horas de sua vida, você está pedindo para que ele lhe dê de graça o conhecimento, percepção e habilidade adquiridos em anos de trabalho. Não é diferente do que pedir ao seu amigo pintor de paredes que em sua folga pinte a sua casa.

Há uma grande história sobre Pablo Picasso. Um cara pediu em um bar para que ele fizesse um desenho em um guardanapo. Picasso pegou uma caneta do bolso, fez um esboço, entregou ao rapaz e disse: Um milhão de doláres, por favor?

Um milhão de dólares? O cara exclamou. Isso só demorou trinta segundos!

Sim, disse Picaso. Mas levei cinquenta anos para aprender a desenhar em trinta segundos.

Se alguém pede ao profissional para faça uma leitura livre, significa que a pessoa não tem o menor respeito com o profissional. Se você ainda acha que é só sobre o tempo, então peça para um amigo seu não-roteirista ler. Eles podem até gostar do seu roteiro. Podem te olhar com respeito. Podem até conhecer alguém do audiovisual e ajudar você a vender  e assim tornará todos os seus sonhos realidade. Mas eu? Eu?

Eu não vou ler o seu fucking roteiro!

* Não traduzi fucking porque fucking é fucking, não há tradução.

Laboratório Novas Histórias – Programa Sesc/Senac de desenvolvimento de roteiros

21 jun

Abriu hoje as inscrições para a edição 2012 para o Laboratórios de Novas Histórias, um programa incrível do Sesc e Senac para desenvolvimento de roteiros.

Já antes de qualquer coisa, digo aos desavisados que não trata-se de um “concurso” com premiação em dinheiro. O Novas Histórias oferece um prêmio, que na minha opinião, óbvio, sou eu que estou escrevendo o texto, logo, minha opinião, tão significativo e bom quanto qualquer valor financeiro.

São 3 dias de oficina criativa com os melhores roteiristas do Brasil e alguns internacionais. Uma oportunidade única. O Laboratório funciona em parceria com o Sundance Institute, sim, do festival, lugar onde todos os anos os melhores roteiristas do mundo participam de oficinas também.

Para ter-se uma idéia do valor do Novas Histórias, no ano passado, entre roteiristas iniciantes, Anna Muylaert também concorria e foi uma das selecionadas.

Contemplados em outros anos : Bráulio Mantovani com Cidade de Deus e O Invasor de Beto Brant, Marçal Aquino e Elena Soaréz. Está bom para vocês? Pois é.

Para participar do concurso é necessário enviar um roteiro pronto.

Informações e inscrições aqui.

Encontro de profissionais freelancer em São Paulo

14 jun

Nesse sábado, dia 16 de junho, acontecerá aqui em São Paulo um encontro de profissionais freelancers das mais variadas áreas como artes, comunicação, audiovisual, moda, publicidade e marketing entre outras.

O encontro foi organizado através do grupo FrelasViaFace com o objetivo de encontrar formas de interação profissional entre os membros do grupo e com agências, produtoras, instituições de ensino e outros.

Para os que quiserem participar, profissionais do Brasil inteiro, haverá a transmissão via web do evento.

Links para participação online no grupo do facebook FreelasViaFace.

O encontro acontecerá no sábado, 16 de junho, das 14:30 às 18:30.

Achei a idéia do encontro FrelasViaFace muito válida, posso falar pela minha área, estamos em um momento ótimo, principalmente para pessoas de iniciativa. Mas não adianta apenas esperarmos que as coisas simplesmente aconteçam, temos que ir buscá-las. Com certeza será ótimo para todos essa interação e troca de idéias entre tantos e diferentes profissionais.

5 maneiras de sair de sua zona de conforto e tornar-se um escritor melhor

14 jun

Texto bem legal, em um estilo de autoajuda, traduzido do blog da escritora Kristen Lamb. 

Escrever é um atividade como qualquer outra. Para nos tornarmos melhor, devemos nos forçar cada vez mais. Precisamos constantemente reavaliar com o que nos sentimos confortáveis e …. passar para o próximo passo. Essa é a única maneira de nos tornarmos melhores, mais rápidos e mais concisos. É como eu sempre digo, estamos em um tempo maravilhoso para os escritores, mas ao mesmo tempo, são tempos terríveis para os escritores.

A descoberta é um pesadelo quando estamos competindo com o computador e com o Songpop. Por isso é tão difícil trabalhar em uma plataforma online. Mas, isso também é vital para aprendermos a escrever melhor e mais rápido do que a concorrência. Para conseguir isso, temos que treinar.

– Para crescer, faça mais.

Quando eu estava no colégio, fazia parte da equipe de natação, e nós éramos treinados para sermos rápidos, o técnico nos fazia usar um conjunto de moleton para dar nossas braçadas. O moleton se torna bem pesado quando esta molhado. Parecia que estávamos nadando puxando um barco rebocador vestindo-os. Mas deixe eu lhes dizer uma coisa, quando nadávamos sem os moletons o que acontecia? Éramos mais rápidos que a luz.

Quando eu comecei minha carreira como escritora, eu achava que 1000 palavras por dia era um grande coisa. Quando eu fiz o Candy Haven’s Fast Draft ( 20 páginas por dia), 1000 palavras era uma brincadeira. Se você quer escrever diariamente, imponha isso a você mesmo. Treine. Amadores jogam por diversão, mas os profissionais jogam porque precisam.

– Fique desconfortável

Se você está confortável, você não cresce. Não precisamos crescer quantitativamente. Provavelmente exista um limite seu para o número de palavras diárias. Eu sei que não consigo mais de 4000 por dia. Tenho vários tipos de tendinites. Mas isso não significa que eu não possa me desafiar em outras áreas para ter certeza de que estou fazendo o meu melhor para crescer como escritor.

– Entenda que somos mais capazes do que acreditamos

A maioria de nós subestimamos nossa capacidade de irmos em frente. No último verão, Ingrid me falou sobre Bikram yoga. Já digo que ela é uma louca masoquista.

Sério? Uma hora e meia de yoga em uma sala com temperatura acima dos 40 graus ? Vocês são loucos?

Mas, eu queria tentar coisas novas e fui a uma aula ( e achei que fosse morrer). Bom, Bikram é um programa de 60 sessões de yoga em 60 dias. São 90 horas em uma sala aquecida a mais de 40˚ e em posições que a primeira vista parecem humanamente impossíveis de serem feitas. Eu disse que era loucura, mas queria ver o que eu era capaz de fazer. Seria muita sorte se eu chegasse ao dia 2.

Minha primeira meta era de 5 dias. Se eu conseguisse fazer o programa por 5 dias, já seria uma GRANDE coisa. Os 5 dias se transformaram em 10. Já que eu tinha ido tão longe, decidi tentar por 2 semanas. Bem, então porque não ver se consigo por 20 dias? Completei os 60 dias, e essa era aquela pessoas que não sabia se conseguiria terminar o dia 1. E esse é o pensamento. Eu não sabia do que era capaz até começar, então me desafiei e ganhei uma camiseta grátis.

Surpreendentemente foi motivada por adesivos de carinhas felizes e camisetas grátis.

5 maneiras de deixar a sua zona de conforto

1 – Aumente o número de palavras – Se você ainda não escrever todos os dias, comece. Escrevo 6 dias na semana. Comece com 100 palavras. Quando se sentir confortável, passe para 200 e logo estará escrevendo como os grandes. A maioria de nós não pode começar como um profissional. Temos que treinar para isso.

2 – Comece um blog – Começar um blog trás muitos benefícios, e um dos maiores deles é ajudar a treinar os novos escritores para chegar ao nível profissional. Mate dois coelhos com uma cajadada só. Ter um blog ajuda a divulgar você como autor. Mas só te ajudará a treinar se você tiver deadlines e fizer uma contagem diária de palavras. Com o blog também você aprenderá a escrever de forma clara, rápida e de fácil leitura.

3 – Leia genêros que normalmente você não leria  – Sempre vejo escritores que lêem coisas que só tem a ver com o gênero que escrevem. Saia da sua zona de conforto e leia outras coisas também. Vai te ajudar a criar novos elementos para suas histórias e isso será o seu diferencial.

4 – Entre em concursos e editais – Os concursos e editais nos dão prazos rígidos e ainda permitem que nosso trabalho seja avaliado por outras pessoas.
5 – Escreva um gênero que normalmente você não escreve – Sair do gênero que estamos habituados e tentar um novo nos faz criar novos músculos. Podemos até descobrir que o estilo que escolhemos originalmente não é o nosso melhor. No começo eu queria escrever thrillers. O blog me ajudou a descobrir que eu sou boa mesmo é no humor. Se eu não tivesse começado a escrever coisas pessoais, de não ficção, jamais teria descoberto que posso fazer as pessoas rirem.
Kristen continua o texto comentando sobre seus livros e sobre um site.
Gosto muito do blog dela e sempre leio. Como disse no início, tem muitos post no estilo autoajuda, mas as dicas são muito boas e enfim, devo estar em umas de querer ouvir que tudo ficará bem. Desculpem os mais incrédulos.