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E aí, vai uma pipoca?

15 jul

Entretenimento.

Do dicionário:  recreação, passatempo, divertimento.

Do cinema nacional: as maiores bilheterias dos últimos anos.

Okay, Tropa de Elite 2 tem sim um crítica social importante, um tema pertinente, mas me desculpem, os mais de 10 milhões de pessoas que foram ao cinema para assisti-lo, queriam mesmo era ver as altas confusões que o Capitão Nascimento iria aprontar em clima de curtição a bordo do caveirão. E sabem de uma coisa? Tudo bem! Na verdade, tudo ótimo. Tropa de Elite deu ao Brasil um herói nacional. Lembro quando foi lançado o primeiro, as crianças do meu bairro brincavam na rua de Capitão Nascimento, e isso era incrível. Um personagem que entre no imaginário popular desse modo? Um personagem de cinema? Isso é sensacional. Bom, o Tropa foi uma gloriosa exceção a regra. Toquei nesse assunto porque essa é a maior bilheteria da história do cinema nacional, mas não quero falar exatamente dele.

Estou falando de :

2011 – De pernas para o ar – Mais de 3 milhões e 500 mil espectadores ; Cilada.com – Quase 3 milhões e Bruna Surfistinha – mais de 2 milhões.

Como 2012 está ainda na metade, falarei de apenas 2, E aí, comeu ? – Alcançou no fim de semana passado mais de 1 milhão de espectadores e As aventuras de Agamenon, chegou muito próximo de 1 milhão também.

Queridos fellas, peço as mais sinceras desculpas, mas terei que falar coisas um pouco óbvias nas próximas linhas.

O que esses filmes tem em comum?

– Artistas globais? Check.

– Propaganda massiva nas Organizações Globo? Check.

– Boa distribuição nas salas de cinemas comercias, entendam Cinemark e outras redes? Check.

– Qualidade na narrativa, personagens interessantes, ótimos diálogos, boa história, imagens?

– Globo Filmes? Check.

– São filmes leves, para dar risada, ~descontrair com a galera~ enquanto delicia-se com uma pipoca de mais de 20 reais, cheia de manteiga? Check. ( Desconsiderem Bruna Surfistinha no quesito dar risada. Ou não.)

É entretenimento.

Podemos torcer nossos narizes o quanto quisermos, mas é exatamente isso.

No Oscar de 2012 um dos indicados a Melhor Roteiro Original foi a comédia romântica Operação Madrinha de Casamento. Costumo ser bem crítica e ter 2 pés atrás com os indicados da Academia, mas nesse ano essa categoria foi justa. Bem justa.

Ah, mas eles são os americanos, eles sabem tudo.

Nós também sabemos.

Vou citar dois de cabeça, Divã, o filme que era peça de teatro e que antes era livro. Ou seja, tinha tudo para dar errado como adaptação para o cinema. Deu muito certo e é ótimo. O outro? Se eu fosse você, filme engraçadíssimo, bem contado, bem executado, sucesso de público. Lidem com isso.

Sei que esses dois tem todos os checks daquela lista óbvia que escrevi.

Mas não são só esses os nossos filmes de entretenimento bem sucedidos. Desses, falarei durante a semana. E eles não tem quase nenhum dos elementos da lista das obviedades acima.

Escrevi um texto há algumas semanas falando sobre a nova classe C e como as emissoras de TV estão se virando para agradar os quase 60% da população brasileira. Parece que algumas pessoas do cinema estão se adiantando também.  Mais uma vez, lidemos com isso. ***

E aí, vai uma pipoca, fellas roteiristas?

 

*** Me expressei mal nesse parágrafo e não quis corrigi-lo, então farei um adendo. Não digo que o cinema tenha que agradar ao mesmo público da TV, mas sim agradar ao público que consome filmes nacionais de acordo com os números. E não me venham dizer que bilheteria não importa, por favor, todos nessa indústria, ou pelo deveríamos ver assim, como negócio, nada pessoal, precisam comer, pagar contar e continuar trabalhando.